Ônibus

Como a Itapemirim saiu do topo e virou uma marca tentando se manter viva

A Itapemirim já foi nome grande no setor de ônibus. Durante décadas, o amarelo dos seus veículos virou imagem comum em terminais, garagens e viagens longas pelo país. A empresa cresceu com força, ganhou linhas importantes, montou estrutura própria e virou referência para passageiros que atravessavam estados inteiros para visitar família, trabalhar ou voltar para casa depois de dias fora.

A queda não aconteceu de uma hora para outra. O desgaste veio em camadas. Primeiro, a empresa começou a perder força financeira. A operação grande, que antes era sinal de domínio, virou peso. Frota cara, manutenção pesada, dívidas, queda de passageiros em alguns trechos e dificuldade para manter o mesmo tamanho deixaram a conta cada vez mais apertada.

Em 2016, o grupo entrou em recuperação judicial. Esse foi um sinal claro de que a antiga estrutura já não se sustentava como antes. A empresa ainda carregava uma marca forte, mas força de marca não paga diesel, salário, peça, garagem, tributo e compromisso com credores. A Itapemirim passou a viver entre tentativas de reorganização e perda de espaço para concorrentes mais enxutos.

Outro ponto que pesou foi a tentativa de entrar no setor aéreo com a ITA. A ideia parecia grande, mas veio em um momento delicado. A operação de ônibus ainda tentava sair do buraco, enquanto o grupo apostava em uma empresa aérea. O projeto durou pouco, gerou dúvidas entre credores e ajudou a aumentar a desconfiança sobre o rumo da gestão.

Em abril de 2022, a ANTT suspendeu todas as linhas da Itapemirim por dificuldades operacionais. Para quem dependia da empresa, isso significou viagem remarcada, espera em rodoviária, troca de empresa e incerteza sobre reembolso. Para funcionários e parceiros, foi mais um corte em uma história que já vinha machucada.

Depois veio a falência de empresas do grupo. As linhas passaram a ser operadas por outra empresa, enquanto a marca e os ativos entraram em disputa judicial. A antiga gigante virou um nome valioso no papel, mas bem menor na prática. A Itapemirim não desapareceu da memória do passageiro, só deixou de ser aquela potência que parecia impossível de cair.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 2 de junho de 2026 20:16

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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