Piso de R$ 4 mil para motorista de ônibus avança e pode virar realidade

O projeto que cria um piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus urbano entrou de vez no debate da Câmara dos Deputados e pode mexer com a rotina do transporte coletivo em cidades maiores. A proposta vale para municípios e regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes, onde a operação costuma ter mais linhas, mais passageiros, mais ônibus em circulação e contratos de maior porte.
O texto é o Projeto de Lei 6533/2025, apresentado pelo deputado Daniel Almeida. A ideia é criar uma referência mínima nacional para o salário dos motoristas do transporte coletivo de passageiros. O valor de R$ 4 mil seria aplicado para jornada de 44 horas por semana. Em contratos com carga horária menor, o pagamento seria proporcional.
Projeto mira motoristas de ônibus urbano
A proposta não trata de todos os tipos de transporte. O foco está no motorista de ônibus urbano que atua no deslocamento diário da população dentro das cidades e regiões metropolitanas. É uma função que exige atenção constante, responsabilidade com passageiros, cumprimento de horários e condução de veículos grandes em vias cheias.
O projeto também prevê reajuste anual pelo INPC, índice calculado pelo IBGE e usado para medir a variação de preços para as famílias. Com isso, o piso teria atualização periódica, evitando que o valor fique congelado ao longo dos anos.
Salário entra na conta do transporte coletivo
A criação de um piso nacional para motoristas de ônibus pode valorizar a profissão, mas também entra na conta das empresas e das prefeituras. O custo do transporte coletivo envolve salários, encargos, diesel, manutenção, pneus, garagem, renovação de frota e tecnologia embarcada.
Esse ponto deve ganhar espaço na discussão, porque muitas cidades já trabalham com subsídios para manter a tarifa em um valor mais acessível ao passageiro. Quando a folha de pagamento muda, o contrato entre prefeitura e empresa pode precisar de ajustes.
Proposta ainda não virou lei
O PL 6533/2025 ainda precisa passar por etapas importantes antes de valer. A proposta está pronta para análise na Comissão de Trabalho da Câmara. Em junho de 2026, a relatora Daiana Santos apresentou parecer favorável ao texto.
Depois dessa fase, o projeto ainda deve seguir para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, também precisa avançar no Congresso e passar por sanção. Até lá, o piso de R$ 4 mil segue como proposta em tramitação, mas já coloca o salário dos motoristas de ônibus no centro da conversa sobre qualidade, custo e valorização do transporte urbano.
