Salário dos motoristas de ônibus expõe disputa que vai além de Bolsonaro e Lula

Reajustes variam por cidade e dependem de acordo coletivo
A comparação entre os salários dos motoristas de ônibus nos períodos de Bolsonaro e Lula precisa ser feita com cuidado. A categoria não tem um salário nacional único definido por lei para todo o país. O valor que chega ao bolso depende da cidade, da empresa, do sindicato, da jornada e dos benefícios fechados em negociação coletiva.
Hoje, o salário médio nacional de um motorista de ônibus urbano aparece em torno de R$ 2.909,61 por mês, com jornada média de 43 horas por semana, considerando dados de contratações formais do CAGED usados pelo Portal Salário. O piso médio informado fica perto de R$ 3.307,90, enquanto o teto médio aparece em R$ 3.703,28. Esses números mostram o salário-base, sem colocar na conta horas extras, adicional noturno, vale-alimentação, gratificações ou outros benefícios.
Em 2022, durante o período Bolsonaro, a Agência Câmara citava uma média nacional de R$ 2.128,31 para motorista de ônibus urbano, também com jornada de 43 horas semanais, usando como referência dados do Portal Salário entre fevereiro de 2021 e janeiro de 2022. Na comparação direta com a média atual de 2026, há uma diferença nominal de cerca de 36,7%. Esse avanço, porém, pega anos diferentes e não pode ser tratado como aumento dado por um único mandato.
Quando a análise sai da média nacional e olha para acordos locais, aparece um dado forte em São Paulo. Em 2022, motoristas e cobradores da capital paulista conquistaram reajuste de 12,47%, com pagamento retroativo a maio. Esse foi um acordo negociado entre sindicato e empresas após paralisação, não uma decisão direta de Brasília.
Já no período Lula, um exemplo público encontrado foi o acordo de 2023 no Grande ABC, com reajuste de 7% para motoristas de ônibus convencionais, vans e cobradores, além de 10% para condutores de ônibus midi. Em 2024, em São Paulo, a pauta da categoria envolvia reposição pelo IPCA, aumento real e perdas acumuladas, mostrando que a pressão por melhora continuou forte.
Pelos dados encontrados, o maior reajuste pontual entre os exemplos públicos pesquisados apareceu em 2022, no período Bolsonaro. Mas a leitura mais correta é que os ganhos dos motoristas de ônibus dependem muito mais da força da negociação local, da inflação acumulada e da realidade de cada sistema de ônibus do que de uma canetada presidencial.
