Ônibus

Motorista de ônibus está deixando o volante, e a rotina pesada explica o motivo

Salário apertado, dupla função, violência, pressão por horário e falta de valorização estão afastando profissionais do transporte coletivo.

Motoristas de ônibus estão largando a profissão por causa da rotina pesada

A profissão de motorista de ônibus já foi vista como emprego seguro, de carteira assinada e respeito na rua. Mas a realidade mudou bastante. Hoje, muitos profissionais enfrentam trânsito pesado, cobrança por horário, passageiro nervoso, risco de assalto e, em vários lugares, ainda precisam dirigir e lidar com a passagem ao mesmo tempo.

Segundo dados do Portal Salário com base no Caged, o motorista de ônibus urbano ganha em média R$ 2.909,61 por mês, com jornada média de 43 horas semanais. No caso do motorista de ônibus rodoviário, a média nacional aparece em R$ 2.844,32, também com 43 horas semanais. Esses valores mudam por cidade, empresa, acordo coletivo e tipo de linha, mas mostram que o salário nem sempre acompanha o peso da responsabilidade de levar dezenas de pessoas todos os dias.

Dirigir e cobrar passagem aumentou o peso no volante

Com a saída dos cobradores em muitas cidades, parte dos motoristas passou a acumular mais tarefas dentro do ônibus. Além de conduzir o veículo, o profissional precisa orientar passageiro, controlar embarque e desembarque, prestar atenção no trânsito, cumprir horário e, em alguns casos, receber pagamento ou conferir passagem. A própria descrição da ocupação aponta atividades como receber pagamento, prestar contas de valores, orientar passageiros e garantir segurança no embarque e desembarque.

O motorista fica sozinho para lidar com o trânsito, com o passageiro que entra sem pagar, com a catraca, com o troco, com a fiscalização e ainda com a pressão para não atrasar a linha. O TST já teve entendimento de que motorista de ônibus pode acumular a função de cobrador em algumas situações, mas isso não apaga o desgaste real de quem passa o dia inteiro no volante.

Falta motorista, mas também falta valorização

O setor já sente a falta de profissionais. Levantamento citado pelo Diário do Transporte aponta que a escassez de motoristas de ônibus urbanos e metropolitanos atinge 53,4% das viações. As empresas começaram a investir em formação interna porque está mais difícil achar gente pronta para assumir o volante.

Os números mostram um cenário misturado. No ônibus urbano, houve saldo negativo de 2.146 vagas no período de abril de 2025 a março de 2026, com mais desligamentos do que admissões. Já no ônibus rodoviário, o saldo foi positivo, com 2.515 vagas, mas a rotatividade segue alta. Isso mostra que a profissão não sumiu, mas está ficando mais difícil manter o motorista na função.

Violência, estresse e medo também afastam motoristas

Além do salário e da dupla função, a segurança pesa muito. Em Niterói, uma reportagem de O Globo mostrou que 80% dos pedidos de demissão levantados pelo sindicato estavam ligados à violência urbana e ao forte estresse. Muitos motoristas passaram a procurar outros caminhos, como aplicativo, fretamento ou outras áreas do transporte.

Essa realidade não é muito diferente da vida de quem roda de caminhão. A estrada cobra caro. Tem pressão por entrega, risco de assalto, espera, manutenção, cansaço e pouca valorização. No ônibus, a diferença é que o motorista ainda carrega passageiros o tempo todo, ouvindo reclamação, lidando com atrasos e sendo responsabilizado por problemas que muitas vezes não dependem dele.

Profissão segue importante, mas menos atrativa

O ônibus continua sendo essencial para milhões de brasileiros que dependem do transporte público para trabalhar, estudar e voltar para casa. Só que o profissional que segura essa rotina está cada vez mais cansado. A falta de respeito, o medo, o salário limitado e o acúmulo de tarefas fazem muitos motoristas pensarem duas vezes antes de continuar na profissão.

Para quem vive do transporte, seja no ônibus, caminhoneiro ou na van, a conta é parecida. O volante sustenta muita família, mas também cobra saúde, paciência e tempo de vida. Quando o motorista começa a sair da profissão, o problema não fica só dentro da garagem. Ele chega no ponto de ônibus, no terminal, na estrada e no bolso de todo mundo que depende do transporte funcionando.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 17 de maio de 2026 07:09

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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