Reforma apoiada pelo governo pode elevar carga de transportadoras do agro em 414% e ameaçar empregos de caminhoneiros

Uma projeção sobre os efeitos da reforma tributária acendeu um sinal importante para empresas que transportam grãos, fertilizantes e outros produtos do agronegócio. O levantamento da consultoria Rumo Brasil estima aumento médio de 414,4% nos tributos pagos pelas transportadoras analisadas com a entrada da Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS.
A pesquisa utilizou dados operacionais de 2025 de empresas ligadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas. Juntas, elas somaram R$ 6,6 bilhões em faturamento e aproximadamente R$ 5 bilhões em serviços subcontratados. O impacto financeiro projetado passa de R$ 144 milhões, considerando apenas a CBS, que substituirá PIS e Cofins.
O percentual não representa aumento de 414% em todas as despesas das transportadoras. Ele indica quanto a cobrança dos tributos estudados poderia crescer em comparação com o modelo atual. O resultado também não permite afirmar que haverá uma onda imediata de demissões, mas mostra uma pressão maior sobre empresas que trabalham com margens apertadas.
A subcontratação é um dos principais pontos do levantamento. No agro, é comum que uma empresa responsável pela carga contrate pequenas transportadoras ou caminhoneiros autônomos para realizar parte das viagens. Com o novo sistema, o aproveitamento dos créditos tributários dependerá da documentação fiscal, da regularidade da operação e da confirmação dos pagamentos.
Caso as empresas não consigam repassar os novos custos ao valor do frete, algumas poderão congelar vagas, reduzir a frota própria ou diminuir o número de viagens terceirizadas. Os autônomos podem enfrentar propostas de frete mais baixas, prazos maiores para receber e exigências fiscais mais rígidas.
A contratação de caminhoneiros com salário inicial menor também pode aparecer como tentativa de cortar despesas. Essa alternativa encontra uma barreira no próprio mercado. Dados divulgados pela Confederação Nacional do Transporte mostram que 65,1% das empresas de cargas relatam dificuldade para encontrar motoristas profissionais. A falta de mão de obra qualificada ajuda a sustentar os salários de profissionais experientes.
A legislação criou crédito presumido para serviços prestados por transportador autônomo pessoa física não contribuinte ou inscrito como MEI. Esse mecanismo pode reduzir parte do impacto, desde que a contratação esteja registrada corretamente e cumpra as novas exigências fiscais.
Em 2026, CBS e IBS estão em fase de teste e adaptação dos documentos fiscais. A cobrança efetiva da CBS e o fim de PIS e Cofins estão previstos para 2027. Até lá, transportadoras terão de revisar contratos, cadastros de autônomos, emissão de documentos e formação do preço do frete.
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