Minas pode precisar de mais de 2,5 mil motoristas de ônibus e piso chega a R$ 3.911

Minas Gerais pode precisar de mais de 2,5 mil motoristas de ônibus, enquanto pisos salariais regionais para a função chegam a R$ 3.911,17 em 2026. O número de profissionais em falta não aparece em um levantamento oficial separado por estado, mas pode ser estimado pelo tamanho da frota mineira e pela carência registrada no setor de passageiros.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito mostram que Minas Gerais tinha 97.363 ônibus registrados em junho de 2026. O Brasil somava 767.680 veículos desse tipo no mesmo período. Com isso, o estado reúne cerca de 12,7% da frota nacional de ônibus, ficando entre os maiores mercados do país para esse tipo de veículo.
No segmento interestadual, a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros informou que mais de 60 mil motoristas estão trabalhando, enquanto seriam necessários quase 86 mil. A diferença fica próxima de 26 mil profissionais.
Ao aplicar a participação da frota mineira sobre esse déficit nacional, a necessidade potencial em Minas chega a aproximadamente 3,3 mil motoristas. Por ser uma projeção, o total real pode variar conforme o tipo de operação, a quantidade de ônibus em atividade e a demanda de cada empresa. O cálculo, portanto, sustenta uma necessidade acima de 2,5 mil profissionais, mas não representa uma contagem oficial de vagas.
A dificuldade para contratar já aparece no dia a dia das empresas mineiras. O Setra-BH informou que viações enfrentam problemas para manter o quadro ideal e cumprir horários. O Grupo Coordenadas, que opera 762 veículos em Minas Gerais, chegou a manter dezenas de postos sem ocupação e passou a investir em formação interna, pagamento de horas extras e apoio para funcionários mudarem a habilitação da categoria B para a D.
A renovação da categoria também pesa. Empresas relatam menor interesse dos trabalhadores mais jovens por escalas fixas, viagens longas e períodos fora de casa. Parte dos profissionais migrou para aplicativos, táxi, transporte urbano ou cargas, atividades que podem oferecer uma rotina diferente e retorno mais frequente para casa.
Outro exemplo vem da Viação Pássaro Verde. A empresa promoveu 35 trabalhadores no segundo semestre de 2025, número equivalente a 8% do quadro de funcionários. A capacitação dentro das garagens virou uma saída para formar condutores que já conhecem a operação e desejam crescer na empresa.
A remuneração muda conforme a cidade, a empresa e a convenção coletiva aplicada. Em uma convenção registrada no sistema Mediador do Ministério do Trabalho, válida desde janeiro de 2026 para municípios mineiros específicos, o piso de motorista de ônibus e micro-ônibus foi fixado em R$ 3.911,17. O documento também permite gratificações e pagamentos diferentes em contratos considerados especiais.
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