Caminhoneiro paga um preço que quase ninguém vê: ficar longe dos próprios filhos

A profissão de caminhoneiro tem um lado que dificilmente aparece quando o assunto é apenas frete, salário ou falta de motoristas. Para quem passa semanas viajando, o preço também é cobrado dentro de casa, principalmente na relação com os filhos.
Há caminhoneiros que passam tantos dias na estrada que conseguem ficar apenas poucos dias do mês em casa. Em algumas rotinas de viagens longas, são três ou quatro dias com a família antes de começar outro trecho. Aniversários, reuniões da escola, consultas e momentos simples da infância acabam acontecendo sem a presença do pai.
Nesse período, muitas mães se tornam a principal base da criação. São elas que acompanham a escola, cuidam quando o filho adoece, organizam horários e enfrentam praticamente sozinhas boa parte dos problemas do dia a dia enquanto o companheiro trabalha a centenas ou até milhares de quilômetros de distância.
Isso não significa falta de vontade do caminhoneiro de participar. Muitas vezes acontece justamente o contrário. O motorista trabalha para sustentar a família, mas a própria profissão que coloca comida dentro de casa também tira dele o tempo ao lado dos filhos.
Entre caminhoneiros, esse é um assunto que mexe bastante. Alguns passam semanas contando os dias para voltar, chegam em casa e pouco tempo depois precisam novamente arrumar a bolsa e sair para outra viagem.
Para uma criança, quatro dias ao lado do pai podem passar rápido. Para o caminhoneiro, também. Quando percebe, mais um mês de trabalho terminou e boa parte da infância dos filhos foi acompanhada por chamadas de vídeo, mensagens e fotografias enviadas durante a viagem.
É uma conta difícil de colocar no salário. A estrada paga o trabalho do motorista, mas não devolve aniversários perdidos, fins de semana em família ou o tempo que passou enquanto os filhos cresciam.
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