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Profissão de caminhoneiro perde força e falta de renovação acende alerta no Brasil

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Profissão de caminhoneiro perde força e falta de renovação acende alerta no Brasil
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Passar vários dias longe de casa, assumir os custos do próprio caminhão e trabalhar horas seguidas já não tem compensado para uma parcela dos caminhoneiros brasileiros. Um levantamento feito com profissionais autônomos mostra que o desânimo com a profissão chegou a um ponto que chama atenção.

A 3ª Pesquisa Nacional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), realizada em 2025, apontou que 23% dos caminhoneiros entrevistados desejam deixar a atividade. Outro número ajuda a entender esse sentimento: 82% afirmaram que não se sentem valorizados profissionalmente.

Foram ouvidos presencialmente 2.002 caminhoneiros autônomos cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). As entrevistas aconteceram entre junho e agosto, em diferentes regiões do país.

O problema não aparece somente entre quem já está com o pé na estrada há anos. A renovação da categoria também anda devagar. A idade média dos entrevistados chegou aos 46 anos, enquanto 34% possuem mais de 50. Os caminhoneiros com menos de 30 anos representam menos de 4% do grupo pesquisado.

Até dentro das famílias a antiga tradição de passar o caminhão de pai para filho está perdendo espaço. Segundo a mesma pesquisa, 86% disseram que nenhum dos filhos pretende seguir trabalhando como caminhoneiro.

Dinheiro também entra nessa conta. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que a remuneração mediana dos motoristas de caminhão com carteira assinada ficou em R$ 3.120 em 2024. O número de profissionais formais cresceu 1,7% naquele ano, chegando a 713.229 trabalhadores.

Só que as contratações perderam ritmo depois. O saldo entre admissões e desligamentos passou de 26,9 mil, entre julho de 2023 e junho de 2024, para 14,4 mil nos 12 meses seguintes. A redução foi de 46,5%, segundo a ANTT.

Os dados não significam que 23% dos caminhoneiros já abandonaram o volante, mas mostram que uma parcela considerável pensa seriamente nisso. Para quem trabalha por conta própria, ainda entram na conta diesel, pneus, manutenção, pedágios, alimentação e períodos em que o caminhão fica parado sem gerar receita.

Com menos jovens interessados, filhos procurando outras profissões e trabalhadores experientes pensando em sair, a falta de valorização deixou de ser apenas uma reclamação ouvida nos postos e passou a aparecer nos números da própria categoria.

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Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.