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Caminhoneiro

Europa tem 502 mil vagas de caminhoneiro sem preencher e empresas já disputam motoristas

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A falta de caminhoneiros na Europa alcançou um nível que começa a afetar diretamente transportadoras, contratos e o custo do transporte. Cerca de 502 mil postos de motorista de caminhão ficaram sem preenchimento em 2025, mais que o dobro do número registrado dois anos antes, segundo dados divulgados neste ano.

O levantamento mais recente da IRU, organização mundial do transporte rodoviário, calcula que aproximadamente 13% das posições de caminhoneiro na Europa estavam sem profissionais. Nos 18 mercados pesquisados mundialmente, o déficit chegou a 2,9 milhões de motoristas.

A situação europeia chama atenção porque o problema pode ficar ainda maior nos próximos anos.

Cerca de 660,5 mil caminhoneiros europeus devem chegar à aposentadoria até 2030, enquanto os profissionais com menos de 25 anos representam apenas 5% da força de trabalho.

Na prática, as transportadoras precisam encontrar novos profissionais não apenas para ocupar os caminhões que hoje estão parados por falta de motorista, mas também para substituir quem deverá deixar a profissão.

O problema já chegou ao caixa das empresas. Aproximadamente dois terços das transportadoras europeias pesquisadas afirmaram ter recusado novos contratos porque não encontraram motoristas suficientes. Para 65% dos operadores europeus, a falta de profissionais é atualmente a principal preocupação do negócio.

Na Polônia, que possui uma das maiores operações de transporte rodoviário da União Europeia, algumas empresas começaram a aumentar a remuneração para tentar segurar e atrair profissionais.

O Financial Times relatou o caso da transportadora polonesa Extrego, que aumentou os salários em aproximadamente 15% em 2025, mas ainda enfrentava dificuldades para preencher cerca de 20 posições de motorista durante o verão europeu de 2026.

Nem aumentar salário, portanto, está resolvendo completamente o problema.

Longos períodos fora de casa, estacionamento inseguro, burocracia, custo para entrar na profissão e envelhecimento da categoria são apontados entre os fatores que afastam novos profissionais.

A escassez também está levando transportadoras a procurar motoristas de países de fora da União Europeia. O próprio setor europeu vem defendendo processos mais simples para contratar estrangeiros. Há empresas buscando profissionais na Ásia e em outras regiões, embora vistos, reconhecimento de habilitação e qualificação profissional ainda criem obstáculos. O Financial Times relatou, por exemplo, uma transportadora da Eslováquia que levou cerca de quatro meses para concluir o processo de contratação de seu primeiro motorista indiano.

Para caminhoneiros brasileiros, os números despertam interesse, mas precisam ser interpretados corretamente.

As 502 mil posições não representam 502 mil vagas automaticamente abertas para brasileiros. O número mede postos de motorista que permaneceram sem preenchimento no mercado europeu em 2025. Não significa que existam 502 mil anúncios disponíveis hoje nem que qualquer estrangeiro possa ocupar essas posições imediatamente.

Quem pretende trabalhar como caminhoneiro na Europa precisa verificar as regras do país escolhido. Podem existir exigências relacionadas a visto de trabalho, residência, conversão ou reconhecimento da CNH, habilitação profissional europeia e idioma.

Mesmo assim, os números revelam uma mudança importante no mercado.

Durante anos, a falta de caminhoneiros europeus foi tratada como um problema pontual. Agora a IRU considera a escassez estrutural, porque ela permanece mesmo em períodos de menor demanda por transporte e tende a ser pressionada pelas aposentadorias.

Com 502 mil postos sem profissionais e mais de 660 mil motoristas caminhando para a aposentadoria até 2030, as transportadoras europeias têm um desafio bastante concreto pela frente: podem ter caminhão, carga e cliente, mas precisam encontrar quem sente atrás do volante.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.