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Caminhoneiro

Frentista pode receber mais que caminhoneiro em alguns estados quando adicional entra na conta

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CAMINHONEIRO-FRENTISTA
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Uma comparação entre salários registrados no mercado formal brasileiro revela uma situação curiosa: um frentista pode receber mais que motoristas de caminhão contratados em alguns estados, principalmente quando o adicional de periculosidade entra na conta.

Os dados precisam ser analisados com cuidado, porque as duas profissões possuem formas diferentes de remuneração. Ainda assim, os valores ajudam a mostrar como o salário-base oferecido ao caminhoneiro muda bastante pelo país.

Em São Paulo, por exemplo, a mediana salarial de admissão para frentista foi de R$ 1.870, segundo levantamento baseado no Novo Caged, com referência de janeiro de 2026.

O frentista que trabalha em condições caracterizadas como perigosas tem direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário, conforme estabelece o artigo 193 da CLT.

Aplicando os 30% sobre os R$ 1.870, o valor chega a aproximadamente R$ 2.431 mensais, antes de considerar outros pagamentos que eventualmente façam parte do contrato.

Esse número supera a mediana salarial de admissão dos motoristas de caminhão registrada em 11 unidades da federação no levantamento referente a março de 2026.

EstadoMediana do motorista de caminhão
RoraimaR$ 2.132
AcreR$ 2.200
SergipeR$ 2.204
PiauíR$ 2.223
AlagoasR$ 2.262
GoiásR$ 2.271
CearáR$ 2.277
Distrito FederalR$ 2.300
Rio de JaneiroR$ 2.363
Rio Grande do NorteR$ 2.368
AmazonasR$ 2.368

Os valores para motoristas são provenientes de registros de admissões formais do Novo Caged. A mediana nacional naquele levantamento ficou em R$ 2.707, enquanto Roraima apareceu na última posição, com R$ 2.132.

No Acre, comparação fica ainda mais próxima

O Acre oferece um exemplo interessante dentro do próprio estado.

A mediana de admissão dos frentistas ficou em R$ 1.810 no levantamento de janeiro. Com 30% de periculosidade, uma conta simples leva o valor para aproximadamente R$ 2.353.

Já para motorista de caminhão, o levantamento de março encontrou mediana de R$ 2.200, com base em 182 registros.

Ou seja, usando essas referências recentes, o valor do frentista acrescido da periculosidade fica cerca de R$ 153 acima da mediana de admissão do caminhoneiro no Acre.

Os meses pesquisados são diferentes, por isso essa comparação não deve ser interpretada como uma tabela salarial oficial entre as duas profissões.

Frentista recebe adicional pelo trabalho com combustíveis

O adicional explica boa parte da diferença.

A legislação considera perigosas determinadas atividades realizadas com inflamáveis e explosivos. Quando o trabalhador se enquadra nas condições previstas, a CLT garante adicional de 30%.

Há vagas recentes que mostram esse pagamento na prática. Em maio de 2026, uma oportunidade para frentista em Santa Catarina oferecia R$ 1.748 de salário mais 30% de periculosidade, levando a remuneração relacionada aos dois itens para aproximadamente R$ 2.272.

Em âmbito nacional, dados atualizados com admissões e desligamentos entre julho de 2025 e junho de 2026 apontam salário médio de R$ 1.724,55 para frentistas, sem incluir automaticamente o adicional de periculosidade na comparação apresentada pelo levantamento.

Isso significa que frentista sempre ganha mais?

Não.

No Paraná, por exemplo, a mediana de admissão do motorista de caminhão foi de R$ 3.013. Em São Paulo, R$ 2.816; em Mato Grosso, R$ 2.782; e em Rondônia, R$ 2.780.

Além disso, o salário registrado na contratação não representa necessariamente tudo o que um caminhoneiro recebe.

Dependendo da empresa e da operação, podem existir diárias de viagem, horas extras, adicional noturno, prêmios por produtividade, comissão por quilometragem e outros pagamentos. Um motorista de carreta em longa distância pode terminar o mês com remuneração bem superior ao salário-base anotado no contrato.

A comparação mostra outro ponto: em estados onde as transportadoras oferecem salários mais baixos, a remuneração inicial do motorista profissional pode ficar muito próxima, ou até abaixo, do valor recebido por trabalhadores de postos de combustíveis quando o adicional de periculosidade é considerado.

Para uma profissão que pode exigir CNH profissional, EAR, experiência com veículos pesados e vários dias longe de casa, essa diferença ajuda a explicar por que a discussão sobre salário e valorização dos caminhoneiros continua presente no setor de transporte.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.