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Pedidos de recuperação judicial atingem 602 empresas em 2026

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LOJAS-FECHADAS
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O número de empresas recorrendo à Justiça para tentar reorganizar suas dívidas continua chamando atenção em 2026. Dados atualizados da Serasa Experian mostram que, entre janeiro e abril, foram registrados 268 processos de recuperação judicial envolvendo 602 CNPJs no Brasil.

Recuperação judicial não significa que a empresa faliu. O mecanismo é utilizado justamente quando um negócio enfrenta dificuldades financeiras e busca reorganizar suas dívidas para continuar funcionando, mantendo empregos e negociando com os credores.

O dado deste ano ganha peso porque 2025 já havia terminado em nível recorde. Pela metodologia atualizada da Serasa Experian, foram 977 processos de recuperação judicial envolvendo 2.466 empresas no ano passado, o maior número de CNPJs da série histórica. O volume de processos cresceu 5,5% sobre 2024, enquanto a quantidade de empresas envolvidas avançou 13%.

Em 2026, janeiro começou com 53 processos envolvendo 126 empresas. A Serasa já alertava naquele momento que o custo elevado das dívidas e a dificuldade de recomposição do caixa continuavam pressionando os negócios.

Março voltou a mostrar pressão. Os dados divulgados inicialmente apontaram 76 processos e 176 CNPJs envolvidos. Como o indicador passa por revisões retroativas conforme novas informações chegam dos processos judiciais, esses números podem ser atualizados posteriormente.

Em abril houve uma redução, com 60 novos processos e 141 empresas envolvidas. Mesmo assim, a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirmou que a melhora mensal precisava ser analisada com cautela por causa dos juros ainda elevados, crédito restrito e desaceleração da atividade econômica.

Outro número ajuda a explicar a dificuldade enfrentada pelas empresas. Em junho, o Brasil ultrapassou 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes, maior quantidade registrada na série da Serasa. As dívidas negativadas dessas empresas chegaram a R$ 232,9 bilhões. Cada negócio inadimplente acumulava, em média, 7,3 contas atrasadas.

O agronegócio também aparece pressionado. Em um levantamento separado, que inclui produtores rurais pessoas físicas, produtores pessoas jurídicas e empresas ligadas à cadeia do agro, foram registrados 474 pedidos de recuperação judicial apenas no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% sobre o mesmo período de 2025.

Os números mostram uma situação diferente de uma onda de falências. Muitas empresas ainda estão tentando evitar justamente esse caminho, buscando na recuperação judicial tempo para renegociar dívidas, reorganizar o caixa e continuar operando.

Para trabalhadores, fornecedores e transportadores que prestam serviços para essas companhias, o avanço das recuperações também merece atenção. Quando uma empresa entra nesse processo, pagamentos e contratos podem ser afetados pelo plano de reorganização financeira apresentado aos credores.

Com mais de 600 CNPJs envolvidos em pedidos de recuperação judicial nos primeiros quatro meses de 2026, o comportamento das empresas ao longo do restante do ano será um dos sinais importantes para medir até onde o crédito caro e o endividamento ainda estão apertando o caixa dos negócios brasileiros.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.