Falta de caminhoneiros já deixa caminhões parados e fretes escapam das transportadoras
O caminhão está comprado, a carga aparece, mas em algumas transportadoras falta justamente quem sente atrás do volante. A dificuldade para contratar motoristas profissionais já vem deixando parte da frota parada no Brasil.
Uma pesquisa da NTC&Logística, realizada em 2025 e divulgada em 2026, apontou que 88% das empresas consultadas enfrentam dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as transportadoras que disseram possuir veículos ociosos, a média chegou a oito caminhões parados por empresa.
Na prática, isso mexe diretamente com a capacidade de aceitar novos fretes. Uma empresa pode ter caminhão disponível na garagem, mas sem motorista não consegue colocar o veículo para rodar.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Rio Grande do Sul (Setcergs), Delmar Albarello, relatou à Folha de S.Paulo que há caminhões parados por falta de profissionais e que empresas acabam até perdendo contratos diante da dificuldade de formar equipes.
Outro problema aparece na reposição dos trabalhadores. Dados da Senatran citados pela Fetranspar mostram que o número de motoristas habilitados para veículos pesados caiu de aproximadamente 5,5 milhões em 2013 para 4,4 milhões em 2023, uma redução próxima de 20%.
O envelhecimento da categoria também pesa. Enquanto caminhoneiros experientes deixam a atividade, a entrada de trabalhadores mais jovens não acontece na mesma velocidade.
Para a transportadora, caminhão parado continua gerando despesas. Financiamento, seguro, documentação, manutenção e depreciação seguem existindo mesmo quando o veículo não está faturando. Quando aparece um frete e não há motorista disponível, a carga pode acabar indo para outra empresa.
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