Por que tantos ônibus antigos usavam faróis e lanternas de carros?

Quem viveu nas ruas e rodoviárias brasileiras entre os anos 1980 e 2000 pode ter olhado para um ônibus e reconhecido alguma peça. Não era impressão. Durante muitos anos, fabricantes de carrocerias aproveitaram faróis, lanternas e até piscas que já equipavam carros vendidos no país.
Um dos casos mais fáceis de reconhecer está no Volare lançado no fim dos anos 1990. O pequeno ônibus utilizava faróis do Fiat Palio de primeira geração. Em versões posteriores também apareceram conjuntos associados ao Volkswagen Gol G3 e ao Palio mais novo.
A Marcopolo também teve exemplos curiosos. O Senior chegou a utilizar faróis do Chevrolet Vectra. Já modelos do Torino dos anos 1990 receberam faróis do Volkswagen Logus, praticamente na mesma posição em que eram instalados no automóvel.
Na traseira a mistura ficava ainda mais interessante. O Torino LN, apresentado após a atualização da linha no fim dos anos 1980, passou a usar lanternas conhecidas dos antigos caminhões Mercedes-Benz. O conjunto continuou aparecendo em outras gerações do modelo durante os anos seguintes.
Voltando um pouco mais no tempo, havia ônibus da Ciferal equipados com lanternas traseiras da Volkswagen Brasília. Algumas fabricantes chegavam a inverter a posição das peças para mudar o visual e dificultar a identificação de qual carro havia cedido o componente.
O Busscar Diplomata tinha outro detalhe que passava despercebido. As luzes de direção dianteiras utilizavam lentes semelhantes às encontradas na Kombi Clipper. Faróis e lanternas principais, porém, tinham desenho próprio.
Essa escolha não era apenas estética. Produzir uma peça exclusiva significava desenvolver ferramental, fazer testes e criar uma cadeia de reposição. Usar um componente automotivo já fabricado em grande escala reduzia custos e ainda facilitava encontrar uma peça nova quando o ônibus precisava de reparo.
Com o avanço dos fornecedores especializados em iluminação para veículos pesados, principalmente a partir dos anos 2000, essa prática perdeu espaço. Os ônibus maiores passaram a receber conjuntos próprios, enquanto modelos menores adotaram peças desenvolvidas especificamente para veículos comerciais.
Por isso, encontrar um farol de Palio, Vectra ou Gol em um ônibus antigo não significa que alguém fez uma adaptação depois. Em muitos casos, ele saiu assim da própria fábrica.
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