Pesquisa mostra desgaste do STF e maioria questiona atuação dos ministros
O Supremo Tribunal Federal enfrenta uma forte crise de confiança entre os brasileiros. Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (9) mostrou que 49,7% dos entrevistados dizem ter pouca ou nenhuma confiança no STF. Outros 38,5% afirmam ter alguma ou muita confiança na Corte.
O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Outro resultado chama atenção. Ao serem questionados sobre a frase de que os ministros do STF decidem mais por interesse próprio do que pela lei, 51,6% concordaram. Apenas 10,9% discordaram, enquanto 23,9% ficaram no meio-termo.
Os números não significam que decisões do Supremo sejam ilegais ou que todos os ministros ajam dessa forma. Eles mostram como parte da população enxerga atualmente a instituição.

O desgaste já aparecia em pesquisas anteriores. Em março, levantamento AtlasIntel/Estadão mostrou que 60% dos brasileiros entrevistados não confiavam no trabalho do STF e de seus ministros, enquanto 34% declaravam confiança. Em janeiro de 2023, segundo a mesma série, 45% confiavam e 44% não confiavam.
A situação ganhou mais atenção nos últimos meses diante de disputas internas, questionamentos envolvendo ministros e investigações relacionadas ao Banco Master. Especialistas ouvidos pela Folha apontam que a politização da Corte, a concentração de poderes em decisões individuais e a falta de regras mais claras de conduta ajudam a explicar parte do desgaste.
A cobrança não vem apenas de partidos políticos. Seccionais da OAB, Transparência Brasil, Comissão Arns e outras entidades defenderam recentemente que questões envolvendo ministros sejam analisadas publicamente pelo plenário, com regras mais claras sobre impedimento e suspeição.
Entidades empresariais como Fiesp, CNI, CNC e CACB também pediram uma sessão pública do Supremo para tratar da crise institucional e defenderam maior transparência nas apurações.
O STF continua sendo a instância máxima do Judiciário brasileiro e suas decisões mantêm validade jurídica. O problema revelado pelas pesquisas é outro: uma Corte pode manter todo o seu poder legal e, ao mesmo tempo, enfrentar perda de confiança diante da população.
Para recuperar essa confiança, cresce a cobrança por decisões mais transparentes, menos dúvidas sobre conflitos de interesse e regras que deixem mais claro quando um ministro deve ou não participar de determinado processo.
Os números mais recentes mostram que a discussão deixou de ficar restrita a grupos políticos. A imagem e a credibilidade do STF passaram a ser um problema institucional que a própria Corte terá de enfrentar.
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