Motoristas estão largando o volante e empresas de ônibus já enfrentam uma crise

A falta de motoristas de ônibus já deixou de ser um problema isolado de algumas empresas e começa a pesar no transporte de passageiros em várias regiões do Brasil. Enquanto vagas ficam abertas, profissionais experientes estão deixando o volante e novos trabalhadores não chegam na mesma velocidade.
A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) informou, em maio de 2026, que mais da metade das empresas que operam ônibus urbanos enfrenta dificuldade para contratar motoristas. O problema aparece justamente em uma atividade que depende de escala diária e precisa manter veículos rodando por muitas horas.
No transporte interestadual, os números são ainda mais pesados. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) apontam déficit próximo de 30%. O setor conta com pouco mais de 60 mil motoristas, mas precisaria de quase 86 mil para atender a necessidade das empresas.
Por trás dessa falta de gente existe uma rotina que vem afastando parte dos profissionais. Trânsito pesado, cobrança para cumprir horários, escalas cansativas, responsabilidade por dezenas de passageiros e risco de violência entram nessa conta. Para alguns veteranos, continuar no ônibus já não compensa como antes.
Outro ponto é a renovação da categoria. A Abrati cita o envelhecimento dos motoristas e a migração de trabalhadores para outras atividades como fatores que aumentaram o buraco nas equipes. Algumas empresas chegam a incentivar profissionais aposentados a permanecerem na ativa, uma saída usada para tentar cobrir a falta de gente.
A dificuldade aparece também nos anúncios de emprego. Em julho de 2026, somente a Gontijo abriu 360 vagas para motoristas em Minas Gerais. Junto com a Águia Branca, as duas empresas anunciaram centenas de oportunidades em diferentes funções do transporte rodoviário.
Empresas urbanas também começaram a apostar em programas para preparar candidatos que possuem CNH adequada, mas ainda não têm experiência suficiente para conseguir uma vaga. A tentativa é aumentar a entrada de gente nova justamente quando profissionais antigos começam a sair.
O problema para as viações não é apenas contratar. Segurar quem já está na empresa virou outra batalha. Quando um motorista experiente sai, não basta colocar qualquer pessoa no lugar. Conduzir um ônibus exige habilitação adequada, treinamento e responsabilidade por dezenas de passageiros.
Com menos interessados e uma categoria envelhecendo, empresas que antes recebiam candidatos com facilidade agora precisam correr atrás de profissionais para manter suas escalas completas.
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