Caminhoneiros estão deixando as estradas e falta de motoristas já afeta transportadoras
A profissão de caminhoneiro passa por uma mudança que já começa a ser sentida pelas transportadoras. Motoristas mais antigos estão deixando as estradas, enquanto encontrar trabalhadores mais jovens dispostos a assumir o volante virou uma tarefa difícil em várias regiões do país.
Uma pesquisa divulgada pela NTC&Logística apontou que 88% das transportadoras consultadas enfrentam dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as empresas que possuem veículos parados por falta de profissional, a média chega a oito caminhões sem trabalhar.
O problema não está apenas nas contratações. A rotina pesada, os vários dias longe de casa, a insegurança nas estradas e os custos ligados à atividade aparecem há anos entre os pontos negativos citados pelos próprios caminhoneiros. Em pesquisa da CNT, os profissionais também apontaram desgaste e perda do convívio familiar como problemas da profissão.
A renovação da categoria também não acompanha a saída dos profissionais mais antigos. Dados acompanhados pela ANTT mostram que o perfil dos motoristas de caminhão continua sendo formado quase totalmente por homens e que o setor acompanha de perto a distribuição dos trabalhadores por idade, salários e tempo de emprego. O painel oficial reúne dados da RAIS até 2025.
A falta de gente para dirigir caminhões chegou ao ponto de o SEST SENAT tratar a escassez de motoristas profissionais como um problema nacional. Em apresentação feita em 2026, a entidade afirmou que o Brasil possui veículos e demanda de transporte, mas não conta hoje com motoristas profissionais em quantidade suficiente para atender o setor.
Para quem trabalha por conta própria, a conta também pesa. Combustível, pneus, manutenção, alimentação e pernoites fazem parte dos gastos diários de uma operação. A própria ANTT citou essas despesas em pesquisa realizada neste ano para atualizar os custos usados no cálculo do piso mínimo do frete.
Enquanto profissionais experientes deixam a boleia e poucos jovens entram para ocupar essas vagas, algumas transportadoras já convivem com uma situação que há alguns anos seria difícil imaginar: existe caminhão, existe carga, mas falta quem queira pegar a estrada.
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