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Caminhoneiro

Estresse na estrada pode cobrar caro: caminhoneiros enfrentam fatores que aumentam risco de infarto

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Horas dirigindo, trânsito pesado, prazo apertado para entregar a carga, distância da família e noites de sono que nem sempre seguem um horário regular. A rotina de quem vive na estrada reúne vários fatores capazes de pesar na saúde do caminhoneiro — inclusive no coração.

Uma revisão científica publicada no BMJ Open analisou 73 estudos sobre a saúde de caminhoneiros de diferentes países. Os pesquisadores encontraram forte evidência de que esses profissionais apresentam, de maneira geral, um perfil preocupante de fatores de risco cardiometabólico, como sobrepeso e obesidade, hipertensão, colesterol elevado, glicose alta e tabagismo.

O próprio trabalho do caminhoneiro ajuda a explicar parte desse quadro. Passar muitas horas sentado, trabalhar em horários irregulares, encontrar poucas opções de alimentação saudável na estrada, ficar longos períodos longe de casa e conviver com pressão constante de tempo aparecem nos estudos sobre a profissão.

O sono também merece atenção.

Um estudo realizado com caminhoneiros de longa distância encontrou relação entre qualidade do sono, organização do trabalho e colesterol. Entre os motoristas avaliados, 66,4% apresentavam HDL abaixo de 40 mg/dL e quase 42% tinham uma relação entre colesterol total e HDL classificada pelos pesquisadores como de alto risco.

Outro estudo com 260 caminhoneiros de longa distância encontrou associação entre jornadas superiores a 11 horas por dia e maior chance de apresentar risco cardiometabólico extremamente elevado. Os pesquisadores também observaram problemas ligados ao excesso de peso e à organização da jornada.

Isso não significa que trabalhar como caminhoneiro automaticamente levará a um infarto.

O problema está na soma dos fatores. Pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e sono inadequado podem estar presentes ao mesmo tempo em uma rotina já marcada pelo estresse.

E o estresse profissional não deve ser ignorado. Uma análise de revisões sistemáticas envolvendo aproximadamente 1,46 milhão de pessoas encontrou associação entre estresse psicossocial no trabalho e problemas cardiovasculares. Os próprios pesquisadores, porém, apontam limitações e não estabelecem que o estresse profissional isoladamente seja responsável por um infarto.

Entre caminhoneiros, um estudo que comparou profissionais de longa distância com dados da população americana encontrou maior risco cardiovascular e metabólico na amostra de motoristas. Sono ruim e maior tempo trabalhando como motorista também apareceram associados a esses riscos.

Para quem passa semanas ou meses viajando, alguns problemas podem ainda permanecer silenciosos. Pressão alta, colesterol e alterações da glicose podem não causar sintomas claros no começo, o que torna o acompanhamento médico periódico especialmente relevante para quem já apresenta fatores de risco.

Dor ou pressão forte no peito, desconforto que pode irradiar para braço, costas, pescoço ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náusea e mal-estar súbito são sinais que exigem atendimento médico de emergência. Na estrada, continuar dirigindo diante de sintomas desse tipo pode colocar o próprio motorista e outras pessoas em risco.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.