Crise no STF pesa sobre Lula e coloca Moraes, Gilmar e Dino na mira do novo Senado
A eleição de 2026 deixou um problema que Lula talvez não esperasse carregar para o segundo turno: o desgaste do Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino aparecem no centro das críticas feitas pela oposição, enquanto setores do próprio governo já admitem que a crise de imagem da Corte acabou respingando na campanha do presidente.
O resultado das urnas aumentou esse peso. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Os dois voltam às urnas no dia 25 de outubro.
Nesta terça-feira (6), a Folha de S.Paulo informou que Lula disse a aliados estar carregando na campanha o desgaste provocado pela situação do STF. O presidente teria usado até a palavra “promiscuidade” ao falar da relação exposta entre integrantes da Corte e personagens envolvidos na crise do Banco Master.
O problema ganhou uma dimensão ainda maior com o resultado para o Congresso. A direita saiu fortalecida das urnas e o PL ampliou sua presença no Senado. A Reuters informou que o partido conseguiu 28 das 81 cadeiras, resultado que aumenta o poder político do grupo ligado a Jair e Flávio Bolsonaro.
É justamente no Senado que uma denúncia por crime de responsabilidade contra ministro do STF pode avançar. Moraes já possui pedido de impeachment em tramitação apresentado em agosto deste ano. O documento aparece no sistema do Senado como aguardando despacho.
Nos bastidores do Supremo, o risco deixou de ser visto apenas como discurso de campanha. Segundo a Folha, ministros já tratam como concreto o perigo de processos avançarem no próximo Congresso. Moraes e Dino estão entre os nomes apontados como possíveis alvos, enquanto Gilmar Mendes também acumula forte resistência entre parlamentares da direita.
Mas existe uma distância grande entre apresentar um pedido e retirar um ministro do cargo. O Senado explica que nunca aprovou um impeachment de integrante do STF. A denúncia precisa seguir um rito próprio e estar relacionada aos crimes de responsabilidade previstos na Lei 1.079/1950.
A ironia política é que ministros vistos durante boa parte do mandato como integrantes de uma Corte mais próxima institucionalmente do governo passaram a representar um problema eleitoral para Lula. Agora, com um Senado mais hostil ao Supremo saindo das urnas, Moraes, Gilmar e Dino também entram no período mais delicado dessa relação.
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