Após eleições, diesel da Petrobras corre risco de reajuste de 50%, diz banco
O diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras pode sofrer reajuste de cerca de 50% nos próximos dias. A projeção vem de relatório do Goldman Sachs e depende do destino dos subsídios federais após o segundo turno das eleições.
Segundo o banco, o preço realizado pela estatal, já com as subvenções do governo, fica em torno de R$ 5,43 por litro. A paridade de importação está próxima de R$ 6,89. A diferença chega a 21%.
Essa defasagem só se mantém por causa da assimetria nos benefícios. Produtores nacionais recebem R$ 2,12 por litro. Importadores contam com R$ 3,52, somando o adicional de R$ 1,40 criado em outubro.
O subsídio de R$ 2,12 venceu no dia 26 de outubro, um dia depois da votação. Até o momento não há confirmação oficial de prorrogação. O benefício extra aos importadores vale até meados de novembro.
Se a diferença de tratamento acabar, o Goldman calcula que a Petrobras precisaria elevar o valor cobrado das distribuidoras em aproximadamente R$ 1,50 por litro. Isso equivale a quase 50%.
Nas bombas o efeito seria menor. O banco estima alta próxima de 20% no preço final ao consumidor. O litro, que gira em torno de R$ 7,34 na média recente da ANP, poderia se aproximar de R$ 9.
Em cenário extremo, com o fim completo dos subsídios, o combustível poderia chegar a R$ 9 ou R$ 10 por litro. A alta total ficaria perto de R$ 1,80.
O próprio Goldman Sachs não coloca o reajuste no cenário-base. O banco trabalha com a hipótese de que a Petrobras mantenha os preços estáveis até o fim do ano, enquanto aguarda definição sobre a política de subsídios.
Qualquer decisão relevante deve ocorrer depois das eleições. A estatal não mexeu no diesel desde meados de setembro. O petróleo Brent superou US$ 116 nesta semana e aumenta a pressão.
Um reajuste dessa magnitude teria impacto limitado no IPCA. O efeito direto ficaria entre 5 e 6 pontos-base. Com os efeitos indiretos sobre fretes e alimentos, o total poderia chegar a 21 a 24 pontos-base.
Transportadores e o agronegócio acompanham de perto. O diesel responde por grande parte dos custos de frete rodoviário e da produção agrícola. A Abicom, associação dos importadores, já registra defasagem acima de R$ 3,50 por litro nas refinarias da Petrobras.
Até agora a Petrobras não anunciou mudança. O mercado espera definição do governo sobre a renovação dos benefícios e a posição da estatal nos próximos dias.
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