Brasil já sente falta de 250 mil motoristas e 2027 pode apertar ainda mais o transporte
A falta de caminhoneiros no Brasil pode ficar ainda mais difícil de administrar em 2027 caso o setor não consiga atrair novos motoristas para a profissão.
A Confederação Nacional do Transporte estima que o país já tenha um déficit de aproximadamente 250 mil motoristas profissionais. Ao mesmo tempo, levantamento feito com dados do Ministério dos Transportes mostra que o número de caminhoneiros em atividade caiu quase 20% nos últimos dez anos.
O problema pesa ainda mais porque cerca de 65% das cargas brasileiras são transportadas pelas rodovias. Com menos profissionais disponíveis, transportadoras podem enfrentar dificuldade para atender períodos de maior movimento, principalmente durante safras agrícolas e datas de forte consumo.
A idade dos profissionais e a dificuldade para trazer jovens para a estrada também estão entre as preocupações. Longos períodos longe de casa, insegurança, remuneração, custos para conseguir as categorias profissionais da CNH e falta de perspectiva de crescimento afastam parte dos novos candidatos.
Outro movimento é a saída de motoristas brasileiros para trabalhar fora do país. Segundo a CNT, Portugal está entre os destinos que vêm atraindo profissionais brasileiros pela possibilidade de receber salário em euro.
Alguns caminhoneiros também estão deixando as estradas para trabalhar em aplicativos de transporte ou na construção civil, atividades que permitem passar mais tempo perto da família.
As transportadoras tentam responder de várias maneiras. Há empresas aumentando a capacidade dos caminhões para transportar mais carga com menos motoristas, enquanto entidades do setor investem em qualificação e apoio para obtenção das categorias D e E da CNH.
Se essa renovação não acompanhar as aposentadorias e a saída de profissionais da atividade, 2027 pode começar com uma disputa ainda maior por motoristas experientes.
O efeito tende a aparecer também fora das transportadoras. Com menos caminhoneiros disponíveis, o transporte pode ficar mais caro, os prazos de entrega podem aumentar e o custo do frete pode acabar chegando ao preço dos produtos transportados pelas estradas.
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