Profissão de caminhoneiro perde mais de 1 milhão de habilitados e já não atrai tantos jovens no Brasil
O Brasil está perdendo motoristas habilitados para dirigir veículos pesados, enquanto a profissão de caminhoneiro enfrenta dificuldades para atrair uma nova geração. Um levantamento divulgado pelo setor de transporte aponta uma redução de aproximadamente 1,2 milhão de habilitados em uma década.
Os números indicam que o total passou de cerca de 5,6 milhões para 4,4 milhões. A queda representa uma média de 120 mil habilitados a menos por ano, embora isso não signifique que todos tenham abandonado a profissão, já que parte dessas pessoas não trabalhava como caminhoneiro.
O desinteresse dos jovens também aparece entre as famílias de quem vive do transporte. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), divulgada em 2025, apontou que 86% dos caminhoneiros entrevistados afirmaram que seus filhos não pretendem seguir a mesma profissão.
A rotina pesada ajuda a explicar essa mudança. Dias longe de casa, despesas com diesel, manutenção do caminhão e longas esperas para carregar ou descarregar mercadorias fazem parte da realidade de quem trabalha na estrada.
Entre os próprios profissionais, a vontade de deixar o volante também aparece. Na mesma pesquisa da CNTA, 23% dos caminhoneiros autônomos entrevistados disseram que desejavam abandonar a atividade.
A falta de renovação da categoria já é uma preocupação para o transporte rodoviário. Enquanto motoristas experientes envelhecem ou deixam a atividade, empresas precisam encontrar profissionais habilitados e preparados para assumir caminhões cada vez mais modernos.
O problema não se resume à quantidade de pessoas com carteira de habilitação. Para trabalhar com veículos pesados, o motorista também precisa atender às exigências legais e, em muitas transportadoras, apresentar experiência na condução de caminhões.
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