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Política

Brasil acumula dívida de R$ 11,1 trilhões e contas públicas seguem no vermelho

3 minutos de leitura
Lula anuncia perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas e 3,6 milhões de MEIs podem ser beneficiados

As contas públicas brasileiras continuam no vermelho e o cenário para 2027 exige atenção. O país acumulou um déficit nominal de R$ 1,264 trilhão em 12 meses até agosto de 2026, considerando os gastos com juros da dívida pública.

Os números foram divulgados pelo Banco Central em setembro e mostram que o resultado negativo equivale a 9,48% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa a produção de bens e serviços do país.

Déficit nominal acumulado em 12 meses até agosto de 2026

R$ 1,264 trilhão

Inclui juros da dívida e resultado primário de União, estados, municípios e estatais abrangidas pelas estatísticas fiscais do Banco Central.

A dívida bruta do governo geral também avançou e chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do PIB. O crescimento aumenta a pressão sobre o orçamento e dificulta a redução dos gastos com juros.

Somente os juros nominais consumiram R$ 1,182 trilhão nos 12 meses encerrados em agosto. Esse valor representa a maior parte do déficit nominal registrado no período.

Gastos públicos continuam acima das receitas

Entre janeiro e agosto de 2026, o Governo Central acumulou déficit primário de R$ 94,9 bilhões, contra R$ 85,9 bilhões no mesmo período de 2025.

O resultado mostra que, apesar do crescimento da arrecadação federal, as despesas também continuam avançando. No período, a receita líquida aumentou R$ 90 bilhões em termos reais, enquanto as despesas cresceram R$ 96,3 bilhões. Ministério da Fazenda

A Previdência Social é uma das principais fontes de pressão. Somente em agosto, registrou déficit de R$ 18,6 bilhões, enquanto o Tesouro Nacional e o Banco Central apresentaram superávit conjunto de R$ 5 bilhões.

Além das despesas previdenciárias, o orçamento enfrenta compromissos com pessoal, benefícios sociais, saúde, educação e pagamentos determinados pela Justiça.

Projeções indicam dívida ainda maior em 2027

Dívida bruta do governo geral

Percentual do PIB. Agosto de 2026 é dado observado; 2027 é projeção da IFI.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, projeta que a dívida bruta poderá atingir 86,4% do PIB em 2027.

A instituição também calcula um déficit primário de R$ 86,1 bilhões para o Governo Central no próximo ano, contrariando a meta de superávit de R$ 18,6 bilhões apresentada no projeto de orçamento.

Segundo a IFI, o governo poderá precisar bloquear pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas durante 2027 para tentar cumprir formalmente a meta fiscal.

As projeções, porém, não são consenso. O levantamento Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, apontou em outubro uma expectativa de déficit primário de R$ 44 bilhões para 2027, menor que a estimativa da IFI.

Juros elevados dificultam recuperação das contas

O principal problema das finanças públicas brasileiras não está apenas na diferença entre arrecadação e despesas. O custo da dívida também representa um peso expressivo.

Quando os juros permanecem elevados, o governo precisa destinar mais recursos ao pagamento dos encargos, enquanto a emissão de novos títulos para financiar suas obrigações pode ampliar o endividamento.

Com isso, aumenta a dificuldade de estabilizar a dívida em relação ao PIB. O problema também pode afetar investimentos públicos, a confiança dos investidores e o custo do crédito para empresas e consumidores.

Para 2027, o desafio será conter o crescimento das despesas, melhorar o resultado primário e reduzir o peso dos juros. Sem avanços nessas áreas, a dívida pública poderá continuar crescendo, mesmo com aumento da arrecadação de impostos.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.