Comerciantes suspendem venda de água mineral após ameaças criminosas no Ceará
Moradores de bairros de Fortaleza estão enfrentando dificuldades para comprar água mineral depois que comerciantes passaram a receber ameaças atribuídas a uma facção criminosa. A situação também chegou a municípios do interior do Ceará, onde denúncias apontam interrupção da venda de garrafões e dificuldades para encontrar distribuidores dispostos a trabalhar.
As denúncias envolvem o Comando Vermelho (CV) e atingem principalmente os bairros Parque Dois Irmãos, Passaré e Manuel Dias Branco, na capital cearense. No interior, moradores de Meruoca e Caridade também relataram problemas semelhantes.
O caso ganhou repercussão depois que moradores de Banabuiú precisaram de escolta policial para conseguir comprar garrafões de água mineral. Após a divulgação da situação pelo g1 e pela TV Verdes Mares, outras comunidades procuraram os veículos de comunicação para denunciar ameaças contra comerciantes.
Comerciantes teriam recebido ordem para interromper entregas
Uma das denúncias mais preocupantes envolve o conjunto Rosalina, localizado no bairro Parque Dois Irmãos, em Fortaleza. Uma moradora procurou a imprensa e pediu que sua identidade fosse preservada por medo de represálias contra ela e seus familiares.
Segundo o relato, as ameaças começaram em 2 de novembro. Uma mensagem atribuída a integrantes da organização criminosa teria determinado que distribuidoras interrompessem a entrega de água mineral em áreas do chamado Complexo Rosalina.
O comunicado estabelecia que os comerciantes não poderiam realizar entregas até segunda ordem. O texto também mencionava possíveis prejuízos para quem desobedecesse à determinação.
A dificuldade de abastecimento já era percebida em estabelecimentos comerciais. Uma testemunha relatou que encontrou garrafões em apenas um dos seis depósitos procurados, enquanto os demais já estavam sem o produto.
Moradores de Meruoca recorrem a poços e chafarizes
No município de Meruoca, localizado a aproximadamente 250 quilômetros de Fortaleza, os relatos apontam uma situação preocupante para famílias que dependem da compra de água mineral.
Com a suspensão das vendas em determinados locais, moradores passaram a buscar alternativas em poços e chafarizes. Parte dessas fontes não possui água própria para consumo humano sem tratamento adequado.
Uma testemunha relatou que a população enfrenta dificuldades até para encontrar água nos pontos alternativos de abastecimento. O problema aumenta a preocupação com a saúde das famílias que não conseguem comprar garrafões.
Em Caridade, município situado a aproximadamente 97 quilômetros da capital, também foram registradas denúncias de dificuldades para adquirir água mineral.
A cidade já enfrentou outro episódio envolvendo a atuação de organizações criminosas. Em 2025, ataques contra provedores de internet comprometeram o serviço para grande parte dos moradores.
Polícia Civil investiga ameaças contra comerciantes
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil investiga a circulação de mensagens em redes sociais relacionadas a supostas ameaças e extorsões contra comerciantes do Parque Dois Irmãos.
As investigações estão sob responsabilidade da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), unidade especializada no combate às organizações criminosas.
A Polícia Militar do Ceará também reforçou o policiamento na região, com ações preventivas e ostensivas.
Banabuiú precisou de escolta policial para venda de água
O episódio registrado em Banabuiú ajuda a dimensionar o impacto das ameaças sobre o comércio de um produto essencial. No município, comerciantes interromperam a venda de garrafões depois de receber intimidações atribuídas ao Comando Vermelho.
A situação chegou ao ponto de moradores precisarem de apoio policial para conseguir comprar água mineral. A operação de abastecimento contou com suporte logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
As novas denúncias em Fortaleza, Meruoca e Caridade mostram que o problema não ficou restrito ao primeiro município onde a situação ganhou repercussão.
Para as famílias atingidas, a dificuldade vai além do fechamento de estabelecimentos comerciais. A suspensão das entregas compromete o acesso à água mineral utilizada diariamente para beber e preparar alimentos.
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