Ônibus

O ônibus que a Itapemirim fabricava em casa e virou símbolo de uma era

Ildemar Ribeiro2 minutos de leitura
O ônibus que a Itapemirim fabricava em casa e virou símbolo de uma era

Durante anos, a Viação Itapemirim foi lembrada pelos ônibus amarelos que cruzavam longas distâncias levando passageiros e encomendas. Mas uma parte menos comum dessa história está dentro da própria garagem da empresa: a criação de chassis e carrocerias feitos pela companhia, algo raro entre operadoras de ônibus.

A fase mais ousada começou nos anos 1970, quando a empresa capixaba passou a mexer em veículos da frota para melhorar a capacidade de carga. A ideia era simples e grande na engenharia: usar um terceiro eixo para permitir mais peso, mais bagagem e melhor aproveitamento nas viagens longas.

Em janeiro de 1981, esse trabalho ganhou nome próprio com o Tribus. O modelo nasceu como um chassi desenvolvido pela Itapemirim, usando mecânica de fornecedores conhecidos, mas com parte estrutural montada nas oficinas da empresa. Os primeiros exemplares partiram de plataformas Mercedes-Benz O-364 e receberam terceiro eixo, solução que ajudava no transporte de encomendas sem estourar os limites de carga por eixo.

O Tribus não era só um ônibus diferente no visual. Ele representava uma tentativa de independência. A Itapemirim queria depender menos das grandes fabricantes e criar um veículo do jeito que precisava para seu serviço. O projeto permitia carrocerias longas, salão com 42 lugares e bagageiro amplo, ponto importante para uma empresa que também movimentava cargas.

A homologação veio em 1981 para versões de 12 metros e 13,2 metros. Na prática, isso permitia produção para uso interno e também para terceiros. A empresa testou soluções de suspensão e motores de marcas como Cummins, Scania e Fiat Diesel, buscando uma receita própria.

A experiência cresceu rápido. Em 1982 veio o Superbus, de dois eixos. Depois apareceram novas gerações do Tribus, com carroceria própria, suspensão pneumática e versões mais modernas. No fim dos anos 1980, a criação da Tecnobus deu cara de montadora ao projeto, com a missão de abastecer o grupo e tentar vender veículos para fora.

Nos anos 1990, a Itapemirim ainda manteve a ideia de veículos próprios, mas o mercado mudou. Montadoras tradicionais passaram a oferecer soluções mais completas, e a operação da companhia também enfrentou fases difíceis. A empresa acabou entrando em recuperação judicial e teve falência decretada em 2022.

Hoje, o Tribus aparece em encontros de ônibus antigos, fotos de acervo e conversas de colecionadores. O modelo segue lembrado pelo porte, pelo bagageiro generoso e pela proposta incomum de uma viação que também quis ser fabricante.

Sobre o autor

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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