Influenciador é processado após gravar video mostrando os preços absurdo dos produtos em parada de ônibus

Um criador de conteúdo que mostra preços de refeições em pontos de apoio de ônibus virou réu em um processo judicial após gravar um vídeo expondo o valor de R$ 149,90 no quilo em um restaurante. Ezequiel Silva, que produz vídeos sobre viagens de ônibus há anos, foi citado em uma ação movida por um estabelecimento em Formosa do Rio Preto, Goiás, que alegou uso indevido de imagem e danos morais.
O processo começou em julho de 2025, mas só agora Ezequiel foi notificado para apresentar defesa. A ação pedia R$ 20 mil de indenização e a remoção imediata dos vídeos, além de proibição de novos conteúdos sobre o local. No entanto, o juiz indeferiu o pedido de censura, alegando que não havia injúria ou calúnia nos vídeos. A decisão destacou que Ezequiel trabalha com jornalismo de viagem, mostrando fatos registrados, como preços e condições de atendimento.
Nos vídeos, Ezequiel mostrou que o quilo da refeição no restaurante processante custava R$ 99,90 na balança, mas depois subiu para R$ 149,90 quando o ônibus chegou. Ele também comparou com outros pontos de apoio, como a Martins, onde o quilo saía por R$ 20, e um restaurante ao lado, que oferecia marmitex por R$ 10. O criador de conteúdo afirmou que não atacou o estabelecimento, apenas mostrou os valores praticados e a diferença entre os concorrentes.
Ele gravou tudo com filmagens e depoimentos de passageiros, que confirmaram os preços abusivos. Em nenhum momento, usou termos como “roubo autorizado” ou “não vá nesse lugar”, como alegado pela defesa do restaurante. O juiz considerou que os vídeos tinham caráter jornalístico e estavam dentro da legalidade, sem ofensas diretas ao estabelecimento.
Justiça de Goiás nega censura e mantém vídeos no ar
A decisão do Tribunal de Justiça de Goiás foi clara: não houve ilegalidade nas publicações. O magistrado entendeu que Ezequiel apenas registrou fatos, como a quebra de um ônibus que deixou passageiros retidos por mais de 12 horas ou a falta de ar condicionado em viagens. Ele também destacou que o criador de conteúdo não tem vínculo com empresas de transporte ou restaurantes, atuando apenas como repórter independente.
O restaurante, que tem avaliação de 3,3 no Google Maps, tentou argumentar que os vídeos prejudicaram sua imagem. No entanto, os comentários dos clientes mostram reclamações frequentes sobre preços altos e qualidade. Ezequiel convidou os internautas a verificarem as avaliações e compararem os valores. “Se eu estivesse mentindo, os passageiros iam confirmar nos comentários”, afirmou.
O caso reforça a discussão sobre liberdade de expressão e o direito do consumidor de mostrar preços praticados em estabelecimentos. Enquanto o processo segue, os vídeos continuam disponíveis nas plataformas, e Ezequiel segue produzindo conteúdos sobre viagens de ônibus, sempre registrando os fatos como ocorrem.
