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Motoboys sustentam a pressa das cidades, mas baixa remuneração desanima a profissão

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Motoboys sustentam a pressa das cidades, mas baixa remuneração desanima a profissão

Os motoboys viraram peça essencial na rotina das cidades. Eles entregam comida, remédio, documento, peça de oficina, compra de mercado e vários outros itens que fazem o dia andar. Quando o pedido chega rápido, quase ninguém pensa no caminho feito até ali. Por trás da entrega, existe um profissional exposto ao trânsito, ao calor, à chuva, à pressão por prazo e a uma remuneração que nem sempre acompanha o esforço.

A profissão ganhou ainda mais espaço com o crescimento dos aplicativos e do delivery. Dados do IBGE mostram que o número de trabalhadores por plataformas digitais chegou a 1,7 milhão em 2024, com avanço de 25,4% em relação a 2022. Dentro desse universo, os entregadores de moto ocupam uma parte importante, principalmente nas grandes cidades, onde a pressa do consumidor virou parte do comércio.

O problema é que a conta nem sempre fecha para quem está em cima da moto. Combustível, troca de óleo, pneu, manutenção, seguro, celular, internet, capa de chuva e equipamentos de proteção saem do bolso do próprio trabalhador em boa parte dos casos. No fim do dia, o valor bruto recebido não representa o dinheiro real que sobra.

Além da baixa remuneração, existe o desgaste emocional. O motoboy lida com cliente irritado, restaurante atrasado, trânsito pesado e cobrança constante por velocidade. Em algumas entregas, o trabalhador ainda enfrenta falta de respeito em condomínios, lojas e portarias, como se o serviço fosse menor. Essa forma de tratamento pesa e ajuda a explicar por que tantos profissionais estão desanimados.

O risco também faz parte da rotina. Levantamento do Ministério da Saúde apontou que, em 2022, mais de 33 mil acidentes de trabalho ocorreram em vias públicas, sendo 3.494 envolvendo motociclistas e ciclistas de entregas rápidas. Já dados divulgados em 2026 pela Agência Brasil mostram que as mortes no trânsito envolvendo motocicletas cresceram 38% entre 2019 e 2024.

A importância do motoboy aparece todos os dias, mas o reconhecimento ainda caminha devagar. A cidade depende desse profissional para funcionar com agilidade, enquanto ele enfrenta custos altos, risco físico e ganho apertado. A desvalorização não está apenas no pagamento, mas também na forma como parte da sociedade trata quem entrega o que ela mesma pediu.

Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.