O número de motoboys cresce no Brasil, mas desvalorização e baixo salário desanimam a categoria

O número de motoboys no Brasil segue em crescimento, puxado pelo avanço dos aplicativos de entrega, pelo aumento do delivery e pela necessidade de renda rápida em várias cidades. A moto virou ferramenta de trabalho para muita gente que precisa pagar as contas, complementar o salário ou encontrar uma saída diante da falta de emprego formal.
Dados do IBGE mostram que o país tinha cerca de 1,1 milhão de pessoas trabalhando como condutores de motocicleta em 2024. Desse total, 351 mil atuavam por meio de aplicativos. Isso mostra como o trabalho sobre duas rodas ganhou força nos últimos anos, principalmente nas grandes cidades, onde comida, mercado, remédios e pequenos produtos chegam cada vez mais rápido na casa do consumidor.
O crescimento também aparece no mercado de motos. A venda de motocicletas no Brasil bateu forte em 2025 e ficou entre os melhores resultados das últimas décadas. Parte desse avanço está ligada ao uso profissional da moto, já que o veículo tem custo menor que um carro, consome menos combustível e permite entrar em ruas mais movimentadas com mais facilidade.
Por trás desse aumento, a realidade dos motoboys continua dura. A renda até pode parecer melhor em alguns casos, mas geralmente vem acompanhada de jornada longa, risco no trânsito, gasto com manutenção, combustível, pneus, internet, seguro e alimentação fora de casa. No fim do mês, o valor líquido pode ficar bem abaixo do que muitos imaginam.
O IBGE também mostrou que a informalidade entre motociclistas que trabalham por aplicativo é muito alta. Em 2024, mais de 80% estavam fora de vínculos formais. Isso significa menos acesso a direitos, previdência, férias, 13º salário e proteção em caso de acidente. Para uma profissão de risco diário, esse ponto pesa bastante.
O Ipea já havia apontado que os entregadores ligados às plataformas cresceram de forma acelerada nos últimos anos, mas com sinais de precarização. A combinação entre baixa remuneração, instabilidade e pressão por produtividade torna a rotina cansativa. O trabalhador precisa rodar mais para ganhar um pouco mais, enquanto o custo da moto continua subindo.
A categoria cresce porque a demanda por entrega rápida aumentou. O desânimo aparece porque o reconhecimento ainda não acompanha a importância desse serviço na rotina das cidades brasileiras.