Caminhoneiro de 80 anos anuncia aposentadoria e faz desabafo sobre a profissão: “Hoje o frete é ruim”

Depois de mais de seis décadas vivendo na estrada, o caminhoneiro Pedro, de 80 anos, decidiu que chegou a hora de encerrar a carreira. A decisão foi anunciada durante uma entrevista ao canal Repórter Jaime Alves, onde ele relembrou o início da profissão, falou das mudanças no transporte rodoviário e fez críticas à realidade enfrentada pelos motoristas atualmente.
Pedro contou que começou a dirigir caminhão ainda na adolescência, aos 15 anos, seguindo os passos do pai. Desde então, nunca deixou a profissão.
“A gente acostuma. Caminhão virou a minha vida”, resumiu.
Mesmo aposentado pelo INSS, ele continuou trabalhando por muitos anos. Agora, afirma que a idade e o cansaço pesaram na decisão de parar.
“Antes não tinha estrada, mas o frete era bom”
Durante a conversa, Pedro comparou diferentes épocas da profissão. Segundo ele, quando começou a viajar, as rodovias eram piores, mas o transporte compensava financeiramente.
“Naquele tempo não tinha estrada, mas o frete era bom. Hoje tem estrada, mas o frete é ruim.”
Segundo o caminhoneiro, décadas atrás era possível obter uma margem muito maior em cada viagem.
Ele afirma que atualmente, depois de pagar diesel, pedágios, manutenção, impostos e outras despesas, sobra pouco para quem trabalha com caminhão próprio.
Mais pedágio, mais burocracia e menos segurança
Outro ponto citado por Pedro foi a mudança na rotina das viagens.
Ele lembra que antigamente era comum dormir em qualquer ponto da estrada sem grandes preocupações. Hoje, segundo ele, o risco de roubos faz muitos motoristas evitarem paradas fora de locais considerados seguros.
Além disso, o caminhoneiro criticou o aumento da burocracia e da quantidade de pedágios nas rodovias.
Segundo Pedro, quem vive do transporte sente diariamente o impacto desses custos, que acabam reduzindo ainda mais a renda do autônomo.
“As transportadoras ganham mais”
Na entrevista, o caminhoneiro também comentou sobre o mercado de fretes.
Segundo ele, em algumas viagens para Manaus, chegou a perceber que o valor pago ao caminhoneiro era muito menor do que o recebido pela transportadora na mesma operação.
Para Pedro, essa diferença acabou diminuindo a rentabilidade de quem trabalha de forma independente.
O caminhão também vai embora
Junto com a aposentadoria, Pedro colocou à venda o caminhão que o acompanha há muitos anos.
O Mercedes-Benz 1622, ano 2002, passou por uma reforma completa recentemente. O caminhoneiro contou que investiu cerca de R$ 47 mil em revisão de motor, câmbio, diferencial, suspensão, carroceria e outros componentes.
Segundo ele, o veículo sempre recebeu manutenção preventiva e nunca sofreu acidentes.
Depois de 60 anos, chega a hora de descansar
Pedro afirma que a família já pedia há algum tempo para que ele deixasse as estradas.
Agora, com a carteira prestes a vencer, decidiu não renová-la para caminhão.
Depois de mais de 60 anos transportando cargas pelo Brasil, ele acredita que chegou o momento de aproveitar uma rotina diferente, longe das viagens e dos quilômetros percorridos.
Esta matéria foi produzida com base na entrevista concedida pelo caminhoneiro Pedro ao canal Repórter Jaime Alves, utilizada como fonte das informações apresentadas nesta reportagem.
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1Também quero desistir dessa profissão