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Transportadora

Ele começou no campo e criou uma transportadora que mira R$ 1,4 bilhão

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Dono-gabardo
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Antes de comandar uma das maiores transportadoras de veículos do país, Sérgio Mário Gabardo trabalhou na agricultura e passou anos dirigindo caminhão entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.

A história do empresário abre a série Rodas, Rotas e Raízes, produzida pela Brobot para mostrar a vida de homens e mulheres que ajudaram a construir o transporte rodoviário brasileiro.

Natural de Nova Bassano, no interior gaúcho, Sérgio conta que nunca abandonou sua ligação com o campo. A entrada no transporte aconteceu quando ele buscava uma forma de pagar os estudos e conseguiu trabalho em uma fábrica de automóveis no Rio Grande do Sul.

O caminhão entrou no negócio

Durante o trabalho na fábrica, Sérgio foi chamado para resolver um problema com um caminhão que havia quebrado no interior. Depois do episódio, surgiu a oportunidade de comprar o veículo.

Para fechar o negócio, ele negociou bens da família, entre eles um Passat usado, uma motocicleta e uma televisão em cores. O restante ficou financiado.

No começo, transportava peças entre Porto Alegre e São Paulo. Na volta, aproveitava para levar veículos e outras cargas de empresas menores.

Sérgio relata que chegou a fazer três viagens entre as duas capitais em uma única semana. O caminhão não tinha direção hidráulica nem ar-condicionado, deixando a rotina bem distante do conforto encontrado nos veículos atuais.

Transportes Gabardo nasceu em 1989

A Transportes Gabardo foi fundada em Porto Alegre em 1989. Antes disso, Sérgio já atuava no transporte de veículos para a montadora gaúcha Miura desde 1982.

O crescimento ganhou força com a abertura do mercado brasileiro aos veículos importados no início da década de 1990. A empresa ampliou a operação e passou a transportar automóveis em diferentes regiões do Brasil e em países da América Latina.

Atualmente, a companhia trabalha com transporte automotivo, administração de pátios, inspeção de veículos, armazenagem e outras etapas da logística das montadoras. A empresa informa possuir cobertura nacional e atendimento no Mercosul.

Empresa fechou 2025 com R$ 900 milhões

A Transportes Gabardo encerrou 2025 com faturamento de R$ 900 milhões, segundo dados divulgados pela empresa e publicados pela imprensa especializada.

Para 2026, a projeção informada pelo fundador está entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão. Parte desse crescimento é atribuída ao aumento da movimentação de veículos de montadoras chinesas, como BYD, GWM, GAC e Chery.

A transportadora também iniciou a compra de 300 caminhões pesados Volkswagen Constellation, com entregas programadas de forma gradual até 2026.

A crise mais dolorosa aconteceu em 2005

A expansão da empresa não ocorreu sem perdas. Em 2002, a transportadora perdeu um contrato importante com a Renault.

Três anos depois, Sérgio perdeu o filho mais velho, assassinado enquanto se preparava para participar dos negócios da família. Durante a entrevista, o empresário afirma que pensou em desistir e encontrou apoio na família e nos trabalhadores da companhia.

Em 2024, a empresa enfrentou outro golpe quando as enchentes no Rio Grande do Sul deixaram cerca de um terço de sua frota debaixo d’água. A operação foi reorganizada e, no ano seguinte, a companhia alcançou o maior faturamento de sua história.

Motoristas chegaram à administração

Um dos pontos defendidos por Sérgio é a valorização de quem começou na boleia. Ele afirma que antigos motoristas passaram a ocupar funções de administração e liderança dentro da Gabardo.

Na entrevista, o fundador diz que uma empresa não é formada apenas por caminhões, prédios ou dinheiro, mas pelas pessoas que trabalham nela. Ele também afirma que almoça no mesmo refeitório e utiliza a mesma estrutura oferecida aos funcionários.

Falta lugar para o motorista descansar

Ao falar dos problemas enfrentados pelo transporte, Sérgio critica a falta de diálogo entre empresas, sindicatos e autoridades.

Segundo ele, existem regras cobrando descanso e controle de jornada, mas faltam estacionamentos seguros para o caminhoneiro parar. O empresário também reclama de locais de carga e descarga que não oferecem banheiro, alimentação ou espaço para acompanhantes.

Para quem pensa em abrir uma transportadora, Sérgio recomenda evitar a disputa apenas pelo frete mais barato. A orientação é procurar cargas e serviços especializados que entreguem mais valor ao cliente, em vez de depender exclusivamente do transporte de mercadorias pesadas com margem pequena.

A história apresentada na série mostra que a Transportes Gabardo não nasceu com milhares de veículos. Ela começou com um motorista buscando carga, pagando financiamento e fazendo longas viagens para manter o caminhão rodando.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.