Conhecido pela greve dos caminhoneiros, Janones declara “é guerra” em apoio a Lula

O deputado federal André Janones, atualmente filiado à Rede, anunciou que aceitou uma nova missão ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e usou palavras de forte impacto para descrever sua atuação na campanha eleitoral.
Em uma publicação nas redes sociais, Janones afirmou estar disposto a “matar ou morrer” para afastar a extrema direita do poder. Também escreveu que não participaria de uma “campanha fofa” e encerrou a mensagem com as frases “vai começar” e “é guerra”.
O texto deve ser interpretado dentro do confronto político e eleitoral citado pelo próprio deputado. Até o momento, não apareceu indicação pública de que Janones estivesse anunciando uma ação física. Ainda assim, o uso de palavras como “matar”, “guerra” e “extermínio” eleva o nível de tensão do debate político.
Em julho de 2026, o parlamentar já havia defendido nas redes a “dizimação” e o “extermínio completo do bolsonarismo”. A declaração se referia à derrota do movimento político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas foi repercutida pelo tom agressivo utilizado.
Janones assumiu estratégia digital pró-Lula
A aproximação entre Janones e o PT começou a ganhar força durante a eleição de 2022. Naquele ano, ele retirou sua candidatura à Presidência e passou a apoiar Lula, levando para a campanha sua experiência com transmissões ao vivo e conteúdos de grande alcance nas redes sociais.
Em junho de 2026, durante um evento do PT, Janones afirmou que “vale tudo para salvar a democracia”. Ele disse ter mudado sua posição em relação à campanha anterior e admitiu trabalhar com uma comunicação de confronto contra o bolsonarismo.
A estratégia é controversa. Durante a disputa de 2022, reportagens apontaram que publicações feitas por Janones continham afirmações falsas ou exageradas contra adversários de Lula.
Deputado já foi crítico do PT
A atual proximidade com Lula contrasta com antigas posições do parlamentar. Janones foi filiado ao PT entre 2003 e 2012, mas depois afirmou que deixou o partido porque a legenda funcionava como uma “seita” e exigia que os integrantes seguissem uma cartilha partidária.
Em dezembro de 2018, depois de ser eleito deputado federal, ele publicou que seus eleitores não deveriam contar com ele para defender Lula nem Bolsonaro. Quatro anos mais tarde, desistiu de concorrer à Presidência e aderiu à candidatura petista.
Há registros confiáveis de críticas de Janones ao PT e de seu antigo afastamento de Lula. Não foi localizada, porém, uma fonte jornalística segura que comprove que ele tenha chamado Lula diretamente de “ladrão”. Por isso, essa afirmação não deve ser apresentada como fato sem o vídeo, postagem original ou outro registro verificável.
Fama começou durante a greve dos caminhoneiros
Antes de ocupar uma cadeira na Câmara, Janones ganhou projeção nacional durante a greve dos caminhoneiros de 2018.
Naquele período, ele era advogado em Ituiutaba, Minas Gerais, e começou a transmitir vídeos nas rodovias em apoio aos motoristas parados. Uma de suas primeiras gravações alcançou milhões de visualizações e transformou sua página em uma das mais movimentadas sobre a paralisação.
Janones nunca trabalhou como caminhoneiro, mas foi apresentado durante parte do movimento como porta-voz de grupos envolvidos na greve. Sua participação também provocou conflitos com outras lideranças, incluindo Wallace Landim, o Chorão.
A visibilidade conquistada naquele momento ajudou sua eleição para deputado federal em 2018, quando recebeu mais de 178 mil votos em Minas Gerais.
Agora, oito anos depois, Janones volta a usar a mesma combinação de transmissões, frases provocativas e linguagem de enfrentamento. A diferença é que, desta vez, não fala como apoiador de uma mobilização de caminhoneiros, mas como integrante da linha de frente digital da campanha de Lula.
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