Caminhões estão ficando parados e empresas aumentam salários para atrair caminhoneiros

A dificuldade para encontrar caminhoneiros está mexendo no bolso das transportadoras. Com vagas abertas e até caminhões ficando parados por falta de motorista, algumas empresas estão colocando mais dinheiro na remuneração e nos benefícios para conseguir contratar.
Uma pesquisa divulgada pela NTC&Logística mostrou o tamanho do problema. 88% das empresas pesquisadas disseram enfrentar dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as transportadoras que possuem veículos parados, a média chega a oito caminhões por empresa.
O custo com mão de obra também está subindo. Nos 24 meses analisados pela pesquisa, esse gasto teve alta acumulada de 13,42%. Em 36 meses, o avanço chegou a 20,2%.
Os próprios dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres mostram que houve aumento nos pagamentos. De 2023 para 2024, o salário médio dos motoristas empregados subiu de R$ 2.415 para R$ 2.564. Quando entram adicionais e outros pagamentos, a remuneração média passou de R$ 2.936 para R$ 3.120.
Nas empresas maiores, a diferença é ainda mais visível. Dados da ANTT apontam que transportadoras com frotas maiores apresentam mediana de remuneração cerca de 43% superior à encontrada nas empresas menores. Motoristas que dirigem veículos pesados e fazem viagens longas também costumam receber mais por causa de adicionais, horas extras, alimentação e pernoite.
E vaga não falta. Um levantamento divulgado em julho de 2026 apontou 4.966 oportunidades abertas para motoristas no Brasil, com salário médio anunciado de aproximadamente R$ 2.850. São Paulo aparecia com 913 vagas, enquanto Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também tinham centenas de oportunidades.
O problema é que salário sozinho nem sempre resolve. Longos períodos longe de casa, custo para conseguir habilitação nas categorias profissionais e a rotina pesada ajudam a afastar novos trabalhadores.
Com menos gente querendo entrar na boleia, a disputa pelo motorista experiente aumentou. Para algumas transportadoras, pagar melhor deixou de ser apenas uma forma de segurar funcionário: virou uma maneira de evitar que caminhões caros fiquem estacionados no pátio por falta de quem dirija.
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