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Dicas para motorista Internacional

Quanto ganha um caminhoneiro na Espanha? motorista mostra seus ganhos reais.

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CAMINHONEIRO-NA-ESPANHA
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Quanto ganha um caminhoneiro brasileiro trabalhando na Espanha? A resposta não cabe em um único valor. Um motorista que atua há cerca de dez anos com caminhões na Europa decidiu falar sobre o assunto e fez um alerta para brasileiros que pensam em vender tudo no país atraídos por promessas de salários altos.

Gravando de Madri durante o descanso semanal, ele contou que trabalha principalmente com transporte de veículos em caminhão-cegonha e que os ganhos podem variar bastante conforme a operação escolhida.

Segundo o relato, um motorista de cegonha na Espanha pode receber a partir de aproximadamente € 2.200 por mês, enquanto algumas operações podem passar de € 4 mil.

A diferença aparece principalmente no tipo de trabalho realizado.

Há motorista que trabalha apenas em operações locais e consegue dormir em casa praticamente todos os dias. Outros rodam por toda a Espanha e retornam nos fins de semana. Também existem profissionais do transporte internacional, que passam períodos maiores fora e podem alternar fins de semana em casa com outros na estrada.

Quanto maior a produção, maior pode ser a remuneração.

O caminhoneiro explica que existem meses nos quais o profissional roda cerca de 10 mil quilômetros, enquanto em períodos mais movimentados pode chegar perto de 15 mil quilômetros. Quantidade de entregas e produtividade também entram nessa conta.

Por isso, um motorista pode receber perto de € 3 mil em determinado mês e superar € 4 mil em outro.

Salário de € 6 mil não é a realidade de todos

O brasileiro também fez questão de colocar um freio em uma das promessas que mais chamam atenção nas redes sociais: ganhos muito acima da média apresentados como se fossem garantidos para qualquer motorista que desembarque na Europa.

Ele afirma já ter visto situações nas quais motoristas conseguiram valores maiores, inclusive próximos de € 6 mil, mas explica que eram condições específicas e que algumas delas nem existem mais.

A crítica é dirigida principalmente ao que chamou de “vendedores de sonhos”, que mostram apenas os melhores salários e deixam de explicar como funciona o trabalho por trás daquele pagamento.

“Um mês você pode ganhar € 3 mil e outro € 4 mil”, explicou ao falar das diferenças provocadas pela produtividade.

Empresas treinam motoristas porque falta gente preparada

A experiência com cegonha também abriu outra oportunidade para o brasileiro. Além de dirigir, ele passou a ajudar na formação de motoristas que chegam para trabalhar nesse tipo de transporte.

Segundo o profissional, a própria empresa paga para que novos condutores recebam treinamento porque há dificuldade para encontrar pessoas já qualificadas para trabalhar com transporte de veículos.

É um serviço diferente de simplesmente conduzir uma carreta convencional. O motorista precisa aprender procedimentos de carregamento, posicionamento dos veículos e operação específica do equipamento.

Trabalhar localmente pode significar ganhar menos e viver melhor

Outro ponto levantado pelo motorista é algo que nem sempre aparece quando o assunto é salário na Europa.

Nem todo profissional procura o maior pagamento possível.

Há motoristas que preferem receber menos e trabalhar em rotas locais, retornando para casa todos os dias. Outros aceitam passar vários dias ou semanas viajando para aumentar a renda.

Ele cita ainda operações conhecidas como lançadeiras, nas quais o motorista pode trabalhar entre uma fábrica e um porto, por exemplo. Dependendo da empresa e da escala, existem profissionais recebendo na faixa de € 2.200, enquanto outros conseguem valores próximos de € 3 mil mesmo retornando para casa diariamente.

Brasileiro alerta para dificuldades que aparecem depois da mudança

O relato também mostra uma parte menos exibida da vida de quem dirige caminhão na Europa.

Segundo o caminhoneiro, furtos de diesel e objetos dentro da cabine fazem parte dos riscos enfrentados em algumas regiões. Ele conta que existem casos em que motoristas estacionam com os tanques cheios e acordam pela manhã descobrindo que o combustível foi levado.

Celulares, carteiras e outros pertences também podem ser alvo de criminosos durante as paradas.

Outro problema citado é a xenofobia. O brasileiro relatou situações de tratamento diferente por ser estrangeiro e afirmou já ter presenciado resistência contra trabalhadores de outros países.

Ele contou uma situação em que estava treinando um motorista venezuelano e um espanhol se aproximou dos caminhões sem sequer responder ao cumprimento dos dois estrangeiros.

Ir para Europa exige mais do que olhar o salário

A mensagem principal para quem acompanha ofertas de trabalho na Europa é pesquisar antes de tomar uma decisão grande.

O caminhoneiro alerta principalmente quem pensa em vender caminhão, carro ou outros bens no Brasil apenas porque viu um vídeo prometendo uma renda elevada.

Até mesmo Portugal, muitas vezes escolhido por brasileiros pela proximidade do idioma, pode trazer dificuldades de adaptação que não aparecem antes da mudança.

A recomendação apresentada pelo motorista é comparar empresas, tipos de operação e condições de trabalho, em vez de observar somente o valor do salário.

No transporte rodoviário europeu, segundo a experiência relatada por ele, € 2.200, € 3 mil ou mais de € 4 mil podem fazer parte da realidade, mas cada pagamento vem acompanhado de uma rotina diferente.

Para alguns, ganhar um pouco menos e dormir todas as noites em casa pode ser melhor negócio. Para outros, passar semanas cruzando fronteiras compensa pelo pagamento maior.

A Europa pode oferecer oportunidade para caminhoneiros brasileiros, mas a realidade da boleia é bem mais complicada do que simplesmente converter um salário em euro para real.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.