Caminhões sem motorista já fazem fretes e transição pode começar em 2032

Caminhões rodando sem ninguém atrás do volante deixaram de ser coisa de filme. Nos Estados Unidos, empresas já começaram a transportar cargas comercialmente usando caminhões autônomos, e isso levanta uma pergunta que mexe diretamente com quem vive da estrada: o caminhoneiro pode perder o emprego para uma máquina?
A resposta é sim, algumas vagas podem desaparecer. Mas os dados disponíveis não apontam para o fim rápido da profissão.
A Aurora começou a fazer fretes comerciais sem motorista no Texas em 2025. Em julho de 2026, a empresa colocou em operação uma segunda geração dos veículos e iniciou uma expansão da produção. Os caminhões trabalham em rotas previamente preparadas e monitoradas, principalmente em grandes corredores de transporte.
Outra empresa que está avançando é a Torc Robotics, controlada pela Daimler Truck. A companhia trabalha com a meta de colocar caminhões totalmente autônomos em operações comerciais de longa distância nos Estados Unidos a partir de 2027.
Isso não significa que milhares de caminhoneiros serão dispensados de uma hora para outra. Uma pesquisa publicada pela McKinsey em janeiro de 2026 indica que a operação de caminhões totalmente autônomos em maior escala pode atingir viabilidade por volta de 2032. A própria previsão foi adiada em relação às estimativas anteriores.
O primeiro impacto tende a aparecer no transporte de longa distância feito entre terminais. É justamente aquele trecho de rodovia no qual o caminhão passa várias horas seguindo uma rota conhecida. Entregas dentro das cidades, manobras complicadas, atendimento ao cliente, conferência de carga e situações fora do padrão ainda tornam o trabalho humano bem mais difícil de substituir.
Um estudo do órgão de fiscalização do Congresso dos Estados Unidos, o GAO, já apontava duas possibilidades: redução de vagas entre motoristas de longa distância ou transformação da profissão, com trabalhadores assumindo outras funções ligadas à operação dos veículos.
No Brasil, essa mudança deverá ser mais lenta. O projeto que cria regras para veículos autônomos, o PL 1.317/2023, ainda aguarda andamento na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Ou seja, o país ainda nem terminou de definir as regras para colocar esse tipo de veículo nas ruas de forma ampla.
Pelo estágio da tecnologia e da legislação, uma redução perceptível de vagas poderia começar primeiro nos países mais avançados entre 2030 e 2035. No Brasil, um impacto grande antes de 2035 parece pouco provável. Um prazo de 10 a 20 anos é mais compatível com o que existe hoje, colocando mudanças mais fortes entre a segunda metade da década de 2030 e os anos 2040.
E mesmo nesse período, falar no desaparecimento completo do caminhoneiro seria exagero. O risco maior está, pelo menos inicialmente, nos trajetos longos e repetitivos de rodovia, não em toda a profissão.
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