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Imposto e frete tiram vantagem de compras do Paraguai entregues pelos Correios

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CORREIOS-PRODUTOS
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Comprar produtos do Paraguai sem precisar atravessar a fronteira parece uma ideia tentadora. Lojas de Ciudad del Este já permitem que brasileiros façam pedidos pela internet e recebam as mercadorias em casa, mas a conta final mostra que nem sempre o preço encontrado no site continua barato depois dos impostos e do frete.

No teste relatado no material enviado, duas lojas foram analisadas: Cell Shop, com forte presença de eletrônicos, e New Zone, mais voltada para perfumes, cosméticos e itens para casa. As encomendas seguem por transporte terrestre até o Brasil e depois entram na rede dos Correios para entrega ao consumidor. Os tributos aparecem no momento da compra por meio das regras do Remessa Conforme.

A diferença começa a aparecer principalmente quando o valor da compra aumenta. No teste, produtos abaixo de US$ 50 apresentavam uma carga tributária bem menor, enquanto itens acima dessa faixa ficavam rapidamente mais caros. O próprio comprador percebeu que os produtos mais baratos tinham mais chance de continuar competitivos depois da tributação.

Um smartphone Xiaomi Poco C71 ajuda a mostrar o problema. O aparelho foi encontrado no Brasil por R$ 799 no Pix. Na loja paraguaia, depois dos valores adicionais apresentados durante a simulação, o total ficou perto de R$ 840. Com preços tão próximos, o comprador afirmou que preferiria comprar no mercado brasileiro, onde já conhecia o sistema de entrega e devolução.

Em outros produtos, a primeira impressão foi diferente. Um conjunto com quatro rastreadores aparecia por aproximadamente R$ 296 já considerando o imposto mostrado inicialmente, contra cerca de R$ 429 em uma oferta encontrada no Brasil. Naquele momento, a economia parecia passar de R$ 130.

O problema apareceu na hora de fechar o carrinho. Uma compra de aproximadamente R$ 845 em produtos chegou a um total relatado de cerca de R$ 1.528. Segundo a simulação feita pelo comprador, aproximadamente R$ 635 correspondiam aos tributos somados. Com isso, produtos que pareciam baratos individualmente deixaram de compensar quando analisados dentro do pedido completo.

A situação também apareceu nos perfumes. Um produto que sairia por aproximadamente R$ 253 com imposto foi encontrado no Brasil por R$ 247. Outro ficaria perto de R$ 180 no Paraguai, enquanto uma oferta brasileira aparecia por R$ 193. A diferença, nesses casos, era pequena demais para tornar a importação claramente mais atraente.

Nos perfumes mais caros, o peso da tributação ficou ainda mais evidente no teste. Um perfume de nicho que aparecia por aproximadamente R$ 1.800 teria mais cerca de R$ 1.669 em tributos segundo a simulação mostrada, levando o total para perto de R$ 3.400. Uma oferta encontrada no Brasil estava em torno de R$ 2.600.

O comprador ainda encontrou uma situação curiosa ao montar pedidos com vários itens baratos. Segundo o relato, ao somar produtos individualmente abaixo de US$ 50, o sistema passou a considerar o valor total do carrinho para calcular a tributação. Ao retirar um dos produtos, o valor apresentado caiu de cerca de R$ 600 para R$ 330. Esse comportamento foi observado naquele teste específico e mostra por que o consumidor precisa conferir o preço final antes de pagar.

Na compra fechada na Cell Shop, dois produtos ficaram em R$ 323. O pedido ainda recebeu cerca de R$ 60 em imposto, R$ 87 de ICMS e R$ 42 de frete. Ou seja, aproximadamente R$ 189 foram adicionados ao valor das mercadorias antes da entrega.

É justamente essa diferença que pode afastar parte dos consumidores da compra online no Paraguai. A comodidade de receber o produto em casa existe, mas ela vem acompanhada de imposto, ICMS e transporte. Em alguns itens baratos ainda pode aparecer economia. Em celulares, perfumes caros e outros produtos de maior valor, a vantagem encontrada na vitrine pode desaparecer antes mesmo de o consumidor apertar o botão de pagamento.

Para quem viaja pessoalmente ao Paraguai, a comparação fica ainda mais forte. No próprio teste é lembrada a cota de até US$ 500 para quem retorna pela fronteira terrestre dentro das regras de bagagem, situação diferente de uma encomenda internacional enviada ao endereço do comprador.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.