Entregadores de iFood e Mercado Livre pressionam por reajustes e discutem novas paralisações

A insatisfação entre trabalhadores de plataformas de entrega voltou a ganhar força no Brasil. Entregadores ligados ao iFood e motoristas que realizam rotas para o Mercado Livre cobram mudanças nos pagamentos e nas regras dos aplicativos, enquanto grupos da categoria discutem novas paralisações.
No caso do iFood, o movimento já saiu das redes sociais. Em 1º de setembro, centenas de entregadores participaram do chamado Breque Geral dos Apps, com manifestações em São Paulo e atos registrados em outras cidades. A categoria cobra principalmente aumento no valor das corridas e mudanças nos modelos de entrega oferecidos pela plataforma.
Entre as reivindicações apresentadas no movimento estão uma taxa mínima de R$ 10 para entregas de até quatro quilômetros e pagamento adicional pelo quilômetro rodado. Parte dos trabalhadores também pede o fim do modelo +Entregas, que funciona com horários e regiões previamente definidos.
A remuneração virou um dos principais pontos da disputa. O iFood afirma que seu modelo tradicional paga entre R$ 7 e R$ 7,50 por entrega, enquanto o +Entregas pode apresentar valores menores por pedido, acompanhados de outros pagamentos e maior direcionamento de solicitações. A empresa sustenta que a modalidade é opcional e pode elevar o ganho total durante o período trabalhado. Entregadores contestam essa conta e relatam queda no valor recebido por corrida.
Mercado Livre também enfrenta reclamações
Entre entregadores que trabalham com o Mercado Envios Extra, as cobranças são diferentes. Relatos enviados por trabalhadores citam pedido de aumento no valor das rotas, redução na quantidade de pacotes, revisão de uma atualização relacionada ao trajeto das entregas e maior transparência nos bloqueios de contas.
A questão das rotas chama atenção porque a própria página do Mercado Livre informa que o motorista recebe ofertas de percursos e pode aceitar aquelas que preferir. O site também descreve o trajeto mostrado pelo aplicativo como um percurso sugerido para facilitar as entregas.
Entregadores, porém, relatam mudanças após atualizações recentes do Envios Extra. Avaliações publicadas em agosto na loja do aplicativo reclamam de menos ofertas de rotas, preços considerados baixos e problemas de funcionamento depois das atualizações. O aplicativo foi atualizado novamente no fim de agosto de 2026.
Os bloqueios de contas também aparecem entre as reclamações. Há registros recentes de entregadores recorrendo até à Justiça após perderem o acesso ao Mercado Envios Extra. Em uma ação apresentada em 2026 no Rio Grande do Norte, um motorista afirmou ter a conta suspensa e ficar impossibilitado de aceitar novas rotas.
Em outras reclamações públicas, o Mercado Livre informou que determinadas suspensões ocorreram por descumprimento dos requisitos do programa, mas afirmou que, por questões internas, nem sempre o atendimento recebe informações sobre o motivo específico que levou ao bloqueio.
Entre os entregadores que discutem uma mobilização relacionada ao Mercado Livre, a cobrança é para que a empresa explique de forma mais clara por que uma conta é bloqueada, como é definido o valor de cada rota e quais critérios determinam a quantidade de pacotes entregue a cada motorista.
Até o momento, encontrei confirmação pública da paralisação nacional envolvendo entregadores de aplicativos como o iFood, mas não localizei uma convocação nacional pública e formal de greve dos entregadores do Mercado Livre. Nesse caso, a discussão sobre uma possível paralisação ainda deve ser tratada como mobilização em organização entre trabalhadores, e não como greve oficialmente confirmada.
Comentários
0