
Foto: Reprodução / Internet
No primeiro ano da nova política de preços da Petrobras, os importadores de combustíveis enfrentaram dificuldades devido à defasagem constante do preço da gasolina, que tornou a importação do combustível pouco atrativa.
Segundo Sérgio Araújo, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o mercado só se manteve graças ao diesel russo, que é negociado a preços abaixo da cotação internacional.
“As importadoras só não saíram do mercado devido à existência do diesel russo. Ele tem um desconto em relação ao preço de mercado praticado pela Petrobras”, afirmou Araújo ao site de notícias Poder360.
As importadoras de combustíveis desempenham um papel complementar ao atender a demanda que a Petrobras não consegue suprir completamente. A estatal consegue suprir quase 90% da demanda nacional de gasolina e 70% de diesel, com o restante sendo atendido pelas importadoras.
No ano passado, a Rússia se tornou o maior fornecedor de diesel importado para o Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2023, 50,5% do diesel importado veio da Rússia, enquanto 24,5% teve origem nos EUA.
Na última segunda-feira (27), a nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou que seguirá a estratégia comercial de seu antecessor, Jean Paul Prates, que desvinculou os preços do Preço de Paridade de Importação (PPI). Araújo comentou que essa continuidade era esperada e criticou a prática de preços artificiais que prevaleceu nos últimos anos.
A nova política de preços da Petrobras, em vigor desde maio de 2023, já está resultando em uma redução na arrecadação das vendas da estatal. Araújo ressaltou que essa prática prejudica a Petrobras por deixar dinheiro na mesa ao não praticar preços adequados. Além disso, ele apontou que precificar artificialmente os combustíveis fósseis acaba afetando também o preço dos biocombustíveis, como o etanol.
“Quando você pratica preço artificial em um combustível fóssil, você acaba precificando também o preço dos biocombustíveis. Para os importadores, gera uma insegurança porque o produto chega ao país com um preço mais alto do que já é praticado pelo agente dominante [Petrobras]”, explicou Araújo.
Esta matéria foi originalmente publicada pelo site Poder360.
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