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Caminhoneiro

A boleia está ficando vazia Brasil já sente falta de novos caminhoneiros

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A boleia está ficando vazia Brasil já sente falta de novos caminhoneiros
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O Brasil começa a sentir um problema que durante anos ficou escondido atrás das filas de caminhões nas rodovias: faltam profissionais dispostos a viver da boleia. A profissão continua carregando boa parte do que o país produz e consome, mas já não atrai novos trabalhadores no mesmo ritmo de antes.

Um relatório internacional divulgado pela IRU em 2026, com dados de 2025, apontou falta de motoristas equivalente a 11% da força de trabalho pesquisada no transporte rodoviário de cargas brasileiro. O estudo trata o problema como estrutural, ou seja, não depende apenas do aumento ou da queda no volume de fretes. Há vagas, mas parte delas permanece sem motorista.

Os números da Agência Nacional de Transportes Terrestres também mostram uma categoria concentrada em trabalhadores mais experientes. Em levantamento baseado nas admissões feitas entre janeiro de 2023 e junho de 2024, a idade média dos caminhoneiros contratados foi de 40 anos. Cerca de 66% estavam na faixa dos 30 aos 49 anos.

A mesma análise mostrou que 98,43% dos admitidos eram homens e que o salário médio de entrada no primeiro semestre de 2024 ficou em R$ 2.473. O contrato médio era de 44 horas semanais, mas a rotina de quem roda longas distâncias costuma envolver dias fora de casa, espera para carregar, noites em postos e mudanças constantes nos horários.

Para quem trabalha por conta própria, a conta pesa ainda mais. Combustível, manutenção, pneus, alimentação, pedágios e parcelas do caminhão saem do próprio bolso. Quando o frete paga pouco ou o veículo quebra, o prejuízo aparece antes de qualquer lucro.

Os mais jovens enxergam esse pacote e procuram outras formas de ganhar dinheiro. A cabine, que para outras gerações representava liberdade e oportunidade, passou a ser vista por muitos como um lugar de solidão, risco e desgaste. Nem sempre o pagamento compensa a distância da família e a falta de descanso adequado.

As condições das estradas também entram nessa conta. Na Pesquisa CNT de Rodovias de 2024, 67% da extensão avaliada recebeu classificação regular, ruim ou péssima. Buracos, sinalização falha e trechos perigosos aumentam o cansaço, o custo da viagem e o risco de acidente.

Enquanto veteranos se aproximam da aposentadoria, transportadoras enfrentam dificuldade para preencher vagas e caminhoneiros autônomos veem os filhos seguirem outros caminhos. A falta de renovação já deixou de ser uma previsão distante e começou a aparecer nos pátios, nas transportadoras e nas conversas de quem vive da estrada.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.