
Caminhão Mercedes-Benz fabricado no ano do Golpe Militar no Brasil
No coração de Ibirubá, no Rio Grande do Sul, encontramos um verdadeiro ícone da história automotiva nacional: um Mercedes-Benz LP 321, modelo de 1964, carinhosamente apelidado de “cara chata”. O caminhão, que pertence à família Andrino há quase quatro décadas, é um exemplo raríssimo de preservação e mantém-se em perfeito estado de conservação.
Adquirido na década de 1980, o caminhão foi comprado por Carlos Andrino para atender às demandas de sua empresa, Carlos Andrino & Companhia, em Carazinho. A ideia era utilizar o veículo para transporte agrícola, como adubo, venenos e maquinários, em uma época em que o diesel começava a ganhar espaço no mercado.
O LP 321 já havia servido como caminhão-tanque antes de ser adaptado para graneleiro, função que desempenhou com maestria. Seu motor nunca precisou de uma grande reforma, mesmo após 40 anos de trabalho pesado. “Ele é bruto, resistente e econômico para os padrões da época”, comenta Reinaldo Andrino, atual guardião do veículo.
Assista o vídeo:
O Mercedes LP 321 foi lançado no Brasil em 1962, inicialmente com motor a gasolina. O modelo a diesel, como o da família Andrino, trouxe uma revolução para o transporte de cargas, sendo elogiado pela eficiência e baixo consumo. Com uma velocidade máxima de 60 km/h, o veículo era ideal para o transporte agrícola e tarefas mais locais.
“Ele nunca nos deixou na mão”, relembra Reinaldo. “Nunca abrimos o motor desde que ele chegou à família. Apenas revisamos a bomba injetora.”
Hoje, o caminhão não é mais utilizado no trabalho diário. Ele brilha em exposições e eventos, sendo um dos poucos exemplares originais ainda existentes no Brasil.
O LP 321 da família Andrino conserva acessórios originais, como o volante com comando de seta no centro, retrovisores de época e calotas com banda branca. Internamente, conta com uma entrada de ar que serve como ar-condicionado forçado e um painel minimalista que ainda funciona perfeitamente.
“O painel é simples, mas cada botão tem sua função bem definida”, explica Reinaldo. “A buzina, o limpador de para-brisa e até o sistema de aquecimento funcionam.”
Para os apaixonados por carros antigos, a preservação do LP 321 é um exemplo de dedicação. A família já planeja obter a cobiçada placa preta, que atesta a originalidade de veículos clássicos.
Estimado em valores entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, o LP 321 é mais que um patrimônio financeiro; é um legado familiar. “Meu pai nos deixou esse caminhão como um símbolo de sua história e trabalho. Hoje, ele é motivo de orgulho para toda a família”, diz Reinaldo, emocionado.
Com apenas 1.418 unidades fabricadas no Brasil em 1964, estima-se que menos de 10% ainda existam, muitos em coleções particulares. O LP 321 da família Andrino é um dos poucos ainda expostos ao público, mostrando a importância de preservar a memória automotiva do país.
Em Ibirubá, o Mercedes LP 321 não é apenas um caminhão; é um elo entre gerações, uma prova de que a história sobrevive quando cuidada com carinho e dedicação.
Texto: Brasil do Trecho / Por André Grave, com imagens de Eduardo Rosa
Esta publicação foi modificada pela última vez em 20 de novembro de 2024 17:23
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