
Acidente no viaduto das Almas. VIADUTO DAS ALMAS
A cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, em meio à serra mineira e cercado por vegetação fechada, está um dos lugares mais conhecidos, e temidos, da história das estradas brasileiras: o Viaduto das Almas.
O nome parece poético, mas a história por trás dele é pesada. Ao longo de décadas, o viaduto ficou marcado por dezenas de acidentes graves, muitos deles fatais, a ponto de se tornar símbolo de tragédia, imprudência, falhas de engenharia e também de lendas que atravessaram gerações.
Mais do que um ponto da estrada, o Viaduto das Almas virou um personagem da própria história do Brasil rodoviário.
O Viaduto das Almas está localizado na antiga BR-3, atual BR-040, rodovia que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Ele foi construído sobre o Córrego das Almas, nome que acabou batizando a estrutura, antes mesmo de qualquer tragédia acontecer.
Na década de 1950, quando foi inaugurado, o viaduto era visto como uma obra moderna, ousada e até bonita para os padrões da época. Ninguém imaginava que aquele lugar se tornaria um dos mais perigosos do país.
O viaduto foi inaugurado em 1º de fevereiro de 1950, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado pelo governador de Minas Gerais, Bias Fortes, além de autoridades e engenheiros.
Naquele momento, o viaduto representava avanço, desenvolvimento e ligação entre dois dos maiores centros do país: Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Era considerado, inclusive, um dos viadutos mais bonitos da América do Sul.
Com o tempo, ficou claro que, apesar de bonito, o viaduto era extremamente perigoso por vários motivos técnicos:
Somado a isso, havia o fator humano: excesso de velocidade, caminhões carregados além do limite, ultrapassagens perigosas e pouca fiscalização.
O resultado foi previsível, e trágico.
O primeiro acidente fatal registrado aconteceu em 1958, quando um fazendeiro morreu após ser atingido por um caminhão.
Mas os episódios mais marcantes vieram depois.
Um ônibus da empresa Aviação Cometa caiu do viaduto, deixando 14 mortos, entre eles a apresentadora Zélia Marinho. O caso teve repercussão nacional.
Apenas dois anos depois, outro ônibus da mesma empresa caiu do viaduto, provocando a morte de 30 pessoas.
Um caminhão militar despencou da estrutura, matando o cabo Maurício Vicente Egérgio Júnior.
Ao longo das décadas, estima-se que cerca de 200 pessoas tenham perdido a vida no Viaduto das Almas, número nunca confirmado oficialmente, mas amplamente citado em registros históricos e reportagens.
Diante do histórico de tragédias, o governo decidiu construir uma nova estrutura para substituir o antigo viaduto.
Em 2010, foi inaugurado o Viaduto Márcio Rocha Martins, mais largo, moderno, seguro e com engenharia adequada aos padrões atuais.
O antigo Viaduto das Almas, também chamado de Viaduto Vila Rica, foi interditado para o tráfego e hoje não recebe mais veículos.
Hoje o viaduto não é mais usado como estrada. Ele passou a ser utilizado para:
Mesmo abandonado, ele continua sendo um ponto famoso e cercado de respeito, e medo.
Com tantas mortes, surgiram relatos de vultos, vozes, sons estranhos e “presenças” no local, especialmente à noite.
Não há comprovação científica de nada disso, mas as histórias continuam vivas entre moradores da região, caminhoneiros antigos e visitantes.
O que é fato é que o Viaduto das Almas se transformou em símbolo, não só de tragédia, mas de uma época em que a engenharia rodoviária ainda engatinhava no Brasil.
O Viaduto das Almas não é só uma construção abandonada. Ele é um lembrete de que estradas mal planejadas, somadas à imprudência e à falta de fiscalização, custam vidas.
Hoje, ele permanece ali, silencioso, como um monumento ao passado, e como um aviso para o futuro.
Porque mais do que uma lenda, o Viaduto das Almas é uma história real. E uma história que jamais deveria se repetir.
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