Caminhoneiro

Caminhoneiros seguem na profissão por amor, apesar da baixa remuneração

Mesmo com longas jornadas, riscos constantes e pouca valorização, muitos caminhoneiros continuam na profissão movidos apenas por um motivo: o amor pela estrada. O cenário atual, no entanto, revela uma realidade preocupante. A baixa remuneração, aliada a condições de trabalho difíceis, tem afastado novos profissionais e feito veteranos refletirem sobre até quando será possível continuar.

“Hoje em dia, se você não amar isso aqui, não aguenta”, desabafa José Carlos, caminhoneiro há mais de 20 anos. “A gente passa semanas longe da família, encara estrada ruim, pedágio caro e no final das contas, o que sobra no bolso é muito pouco”.

Remuneração abaixo do ideal

A grande maioria dos motoristas recebe por frete ou comissão, o que significa que os ganhos variam mês a mês — e quase sempre ficam abaixo do que seria justo diante da responsabilidade que carregam.

Cargas pesadas, prazos apertados, cobranças por desempenho e custos altíssimos com alimentação, manutenção e combustível compõem a rotina desses trabalhadores. Em muitos casos, a diária paga pela empresa mal cobre as despesas de estrada.

“Eu rodo por amor. Mas amor não paga boleto”, resume outro caminhoneiro, que prefere não se identificar. “A gente carrega o país nas costas, mas ninguém enxerga o valor do motorista. A impressão é que somos invisíveis.”

Falta de incentivo e apoio

Além da baixa remuneração, os profissionais também enfrentam a falta de estrutura nas estradas: postes de apoio sucateados, banheiros pagos, falta de segurança e risco constante de assaltos.

Apesar de tudo isso, muitos resistem na boleia, não por retorno financeiro, mas por identificação com a profissão. “É no ronco do motor e no asfalto que a gente se sente vivo”, diz um caminhoneiro gaúcho. “Mas o amor tem limite. O que mais se vê hoje é pai caminhoneiro dizendo que não quer ver o filho na mesma estrada”.

Risco de colapso na categoria

Especialistas e entidades do setor alertam que, se a remuneração e as condições de trabalho não melhorarem, o Brasil pode viver um colapso no transporte rodoviário de cargas. A média de idade dos caminhoneiros está cada vez mais alta, enquanto os mais jovens fogem da profissão diante da falta de incentivo.

Para manter os profissionais nas estradas e atrair novos, será preciso mais do que paixão: será necessário respeito, valorização e políticas públicas eficazes.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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