
Munduruku com carta enviada aos caminhoneiros. Foto: Frank Akay Munduruku
No 11º dia consecutivo de mobilização contra a Lei 14.701, que oficializa o marco temporal para demarcações de terras indígenas, os povos Munduruku reforçaram sua resistência nesta sexta-feira (4) entregando uma carta aos caminhoneiros que trafegam pela BR-163, no trecho de Itaituba (PA). O documento intitulado “Carta às comunidades e a todos que querem entender a nossa luta” busca explicar os motivos do bloqueio.
Na carta, os indígenas denunciam os impactos ambientais e sociais sofridos em seus territórios, como o avanço do garimpo ilegal, a contaminação das águas, a fome crescente e as mudanças no clima. “Estamos vendo a fome chegar aos nossos mais velhos e às nossas crianças”, alerta o texto.
O protesto começou no dia 25 de março, véspera da audiência de conciliação do STF sobre a tese do marco temporal, que restringe a demarcação de terras indígenas àquelas ocupadas antes da promulgação da Constituição de 1988. A audiência, reagendada para o dia 27, não atendeu às demandas dos indígenas, que também criticam a proposta substitutiva do ministro Gilmar Mendes, por considerar que ela mantém ameaças aos direitos dos povos originários, como a possibilidade de mineração em Terras Indígenas e a indenização de fazendeiros invasores.
Atualmente, cerca de 200 indígenas se revezam em turnos no bloqueio da BR-163, com liberação noturna do tráfego e passagem garantida a ambulâncias e veículos com pessoas doentes. Um barracão improvisado perto da rodovia serve de base para descanso, alimentação e articulação do movimento.
O local do bloqueio é estratégico: um trecho onde a BR-163 se cruza com a Transamazônica (BR-230), rota crucial para o escoamento de grãos do Mato Grosso até os portos de Miritituba, no Tapajós. A região, cada vez mais dominada por empreendimentos do agronegócio, intensificou a pressão sobre os territórios indígenas, afetando a pesca, a navegação e os modos de vida tradicionais.
De acordo com dados da plataforma MapBiomas, Itaituba é hoje o município com maior área de garimpo ilegal do país. Parte dessas atividades ocorre dentro de terras ainda não demarcadas, ampliando os conflitos.
O movimento exige ser ouvido diretamente por Gilmar Mendes, autor da proposta de conciliação. Segundo nota do gabinete, o ministro vai receber representantes da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e lideranças Munduruku em reunião marcada para o dia 8 de abril, às 17h30. O encontro foi solicitado pelo movimento e, segundo o STF, o ministro garantiu espaço para o diálogo.
Enquanto isso, os indígenas seguem firmes, resistindo e denunciando o que consideram ataques sistemáticos aos seus direitos constitucionais. “Infelizmente, eles só ouvem quando são incomodados”, diz a carta entregue aos caminhoneiros.
A situação reforça a tensão entre os interesses do agronegócio, que vê a BR-163 como eixo estratégico para exportações, e os povos indígenas, que lutam pela preservação de seus territórios e modos de vida diante de projetos como a Ferrogrão, que pode ampliar ainda mais os impactos socioambientais na região.
“Não queremos conflito. Queremos respeito. Queremos viver.” — trecho da carta dos Munduruku.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 7 de abril de 2025 08:55
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