
Caminhoneiros em greve Foto: Reprodução / Agência O Globo
A greve dos caminhoneiros que transportam combustíveis em Minas Gerais, iniciada nesta segunda-feira (10), já começa a gerar preocupação em diversos setores da cadeia de abastecimento. Especialistas alertam que, se a paralisação se prolongar, pode haver impacto direto no preço da gasolina e do diesel nas bombas, especialmente em estados abastecidos a partir da Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na Grande BH.
Segundo o Sindtanque-MG, que organiza a paralisação, os motoristas estão protestando contra o não pagamento do piso mínimo do frete, previsto na Lei 13.703/2018, e contra a falta do vale-pedágio antecipado, garantido pela Lei 10.209/2001. Caminhões-tanque estão parados nas imediações da refinaria, impedindo o escoamento de combustíveis para postos e distribuidoras da região.
“Se essa paralisação durar mais de 72 horas, já será perceptível a redução no volume de combustíveis nos postos de várias cidades de Minas. Se chegar a uma semana, o reflexo pode ser nacional”, alerta o economista e consultor logístico Carlos Araújo.
A interrupção no transporte de combustíveis tende a provocar um efeito em cascata, com impacto logístico e repasse de custos ao consumidor. Se os postos começarem a enfrentar filas ou falta de produto, a tendência é de aumento nos preços, impulsionado pela lei da oferta e da demanda.
O presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes, afirma que os caminhoneiros estão pagando para trabalhar, já que os valores de frete estariam 10% a 15% abaixo do mínimo legal, e que só vão encerrar a greve após negociação com as empresas contratantes, como Vibra Energia e BR Distribuidora.
A refinaria Regap é responsável por parte do fornecimento de combustíveis não apenas para Minas Gerais, mas também para partes do Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal e sul da Bahia. Uma greve prolongada pode forçar outros estados a buscarem abastecimento em refinarias mais distantes, elevando o custo de transporte e pressionando o preço final nas bombas.
De acordo com representantes do setor, se não houver normalização até o meio da semana, postos de combustíveis em Minas já podem começar a reajustar preços por precaução. A Associação das Distribuidoras de Combustíveis não descarta um aumento generalizado no caso de escassez.
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