O Brasil, país que depende de forma esmagadora do transporte rodoviário para escoar alimentos, combustíveis e mercadorias, vive um alerta silencioso: a escassez de caminhoneiros qualificados já ameaça provocar um verdadeiro apagão logístico nos próximos anos.
De acordo com entidades do setor, as transportadoras enfrentam dificuldades crescentes para contratar motoristas profissionais. O problema é agravado pela nova geração de trabalhadores, que muitas vezes não se interessa pela profissão, considerada cansativa, de alto risco e pouco valorizada.
Além da falta de interesse, o cenário é reforçado por fatores como:
- Jornadas exaustivas e pouco tempo para descanso adequado;
- Baixa remuneração em comparação ao desgaste físico e mental;
- Insegurança nas estradas, com aumento de roubos e acidentes;
- Custos elevados para obtenção e renovação da CNH e cursos obrigatórios;
- Dificuldade em conciliar a vida profissional com a familiar, já que muitos passam semanas fora de casa.
Segundo especialistas, caso essa tendência não seja revertida, a falta de motoristas pode impactar diretamente a economia. Produtos podem demorar a chegar aos mercados, insumos industriais podem faltar e a logística agrícola, que move a safra do campo aos portos, corre o risco de atrasos.
O alerta também preocupa o agronegócio, responsável por boa parte da carga transportada no país. “Sem caminhoneiro, não há grão no porto, não há carne nos frigoríficos, não há combustível nos postos. O Brasil pode parar por completo”, afirma um representante do setor de transporte.
Diante do risco de colapso, especialistas defendem medidas urgentes, como programas de valorização da categoria, políticas de incentivo à entrada de novos motoristas, maior segurança nas estradas e revisão das condições de trabalho.
Se nada for feito, o país pode testemunhar em breve um cenário caótico: caminhões parados por falta de motoristas, prateleiras vazias e prejuízos bilionários para a economia nacional.

