
Caminhão com frete dos mercado livre e amazon
Quando vemos a etiqueta de “frete grátis” em uma compra online, a sensação imediata é de vantagem. Afinal, ninguém gosta de pagar a mais para receber um produto em casa. Mas por trás dessa estratégia de marketing existe um custo que, invariavelmente, alguém paga — e muitas vezes esse alguém é o próprio consumidor ou o pequeno lojista.
No Brasil, o frete grátis ganhou força com a consolidação de grandes marketplaces, como Amazon, Shopee e Mercado Livre. A Amazon transformou a entrega gratuita em um dos pilares do programa Prime, enquanto a Shopee popularizou cupons de frete grátis que se tornaram seu principal atrativo. A pressão fez com que outras plataformas também adotassem o modelo, criando uma expectativa quase padrão no consumidor: comprar online e não pagar pela entrega.
Só que o frete “grátis” raramente é de fato gratuito. Em muitos casos, o valor da entrega é embutido no preço final do produto, criando uma ilusão de economia. Além disso, a prática pressiona pequenos e médios vendedores, que precisam arcar com custos mais altos para competir com os gigantes. Para quem vende em marketplaces, como o Mercado Livre e a Shopee, ainda há taxas adicionais que podem corroer a margem de lucro e tornar o negócio inviável.
Outro desafio é a logística. Oferecer frete grátis aumenta o volume de pedidos, mas exige estrutura para garantir rapidez e qualidade na entrega. A chamada “última milha”, que representa o trecho final até o cliente, é a parte mais cara e complicada. Grandes players conseguem diluir custos graças à escala e a centros de distribuição próprios, enquanto pequenos lojistas enfrentam atrasos, prejuízos e riscos maiores ao tentar acompanhar esse padrão.
No fim, o frete grátis beneficia consumidores que compram em grandes plataformas, mas pesa sobre quem vende em menor escala e precisa competir com margens reduzidas. É uma estratégia poderosa, mas que cria um mercado desigual: enquanto gigantes do e-commerce crescem sustentados pela escala e incentivos, os pequenos ficam espremidos entre custos altos e clientes cada vez mais exigentes.
O caminho mais saudável talvez esteja na transparência. Em vez de apresentar tudo como “grátis”, deixar claro de onde vem esse benefício pode ajudar consumidores a entenderem melhor o valor da entrega e dar espaço para que pequenos lojistas compitam de forma mais justa. No fim das contas, o frete nunca é gratuito — a conta sempre chega, só muda de quem paga.
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