
Caminhoneiro fala com domingo espetacular. Foto: reprodução
Um episódio de violência revoltante reacendeu o debate sobre as condições de trabalho e descanso dos caminhoneiros no Brasil. Em Mimoso do Sul, no Espírito Santo, o motorista Evander Maurílio Godinho, de 62 anos e com 34 de estrada, foi brutalmente agredido dentro de um posto de combustíveis depois de se recusar a pagar R$ 150 pelo estacionamento noturno — valor que considerou injusto, já que sua empresa costuma abastecer no local.
Evander havia rodado cerca de 800 quilômetros, transportando 36 toneladas de aço entre Piracicaba (SP) e Cachoeiro de Itapemirim (ES), quando decidiu parar por volta das 21h30 para cumprir a Lei do Descanso (Lei 13.103/2015), que determina 11 horas de repouso a cada 24 horas de jornada. Com o caminhão bloqueado eletronicamente pela empresa — como exige o protocolo de segurança —, ele não podia se mover quando foi abordado por funcionários do posto.
De acordo com o relato do caminhoneiro, a equipe de segurança exigiu que ele abastecesse ou deixasse o pátio, mas, ao recusar, foi insultado e agredido. As imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o gerente sobe na cabine e tenta puxá-lo, enquanto outro homem o ataca pela porta do carona, aplicando golpes e um mata-leão. Em seguida, Evander é arrastado e cai de uma altura de quase dois metros, batendo a cabeça na calçada.
Ferido e atordoado, ele ficou paralisado por alguns minutos, rezando pela família enquanto pedia socorro. Foi socorrido por outro caminhoneiro e levado a um hospital de Mimoso do Sul, sendo posteriormente transferido para Cachoeiro de Itapemirim. Os exames indicaram traumatismo craniano e fratura na clavícula direita.
A empresa para a qual Evander trabalha classificou o caso como “inaceitável” e afirmou que o posto, credenciado justamente por oferecer segurança aos motoristas, “traiu a confiança da categoria”. O posto de combustíveis, por sua vez, divulgou uma nota chamando o episódio de “lamentável” e informou que um dos funcionários envolvidos foi demitido.
O advogado do caminhoneiro afirmou que o caso será tratado como tentativa de homicídio e denunciou a falta de segurança nos locais de parada obrigatória. “O governo exige que o motorista descanse, mas não garante estrutura nem proteção para isso”, afirmou.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 11 mil vagas credenciadas em 175 pontos de parada, número considerado insuficiente diante da demanda de milhares de caminhoneiros. Muitos são obrigados a pagar valores abusivos ou enfrentam hostilidade quando tentam cumprir a lei.
Em recuperação, Evander desabafou:
“Hoje eu não durmo direito, tenho pesadelos todas as noites. É muito triste ver a covardia do ser humano.”
O caso evidencia uma realidade dura e perigosa: nas estradas brasileiras, descansar pode custar caro — e, em alguns casos, quase a própria vida.
Um caso envolvendo um motorista de aplicativo que se recusou a atender um cadeirante gerou revolta e está dando o…
A proposta que discute o fim da escala 6x1 no Brasil tem gerado muitas dúvidas entre os trabalhadores do transporte…
Um caminhoneiro de 53 anos foi preso após ser flagrado dirigindo sob efeito de álcool durante uma fiscalização na PR-180,…
Um caminhoneiro de 28 anos morreu após um grave acidente na BR-386, em Marques de Souza, no Rio Grande do…
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) está reforçando ações e orientações para caminhoneiros sobre o uso correto do Arla 32, produto…
O governo federal está estudando aumentar a quantidade de etanol misturada na gasolina, e isso pode trazer impacto direto no…
Este site utiliza cookies.