Mais de 80% dos caminhoneiros passaram a virada do ano na estrada, em viagem, em postos ou no pátio da empresa

Caminhoneiro preparando seu churrasco de final de ano.

Levantamento informal mostra que a maioria dos motoristas profissionais não conseguiu estar em casa no Réveillon e virou o ano longe da família, trabalhando para manter o país rodando

Enquanto muita gente estava em casa comemorando a chegada do Ano Novo com a família, soltando fogos e fazendo festa, a realidade foi bem diferente para quem vive da estrada. Um levantamento feito por entidades do setor e por grupos de caminhoneiros em redes sociais indica que mais de 80% dos caminhoneiros passaram a virada do ano trabalhando, seja viajando na estrada, parados em postos de combustível ou aguardando carga no pátio das empresas.

A rotina de quem transporta mercadorias no Brasil não para nem em feriado, nem em data comemorativa. Alimentos, combustíveis, remédios e todo tipo de produto continuam precisando chegar ao destino, e isso faz com que o caminhoneiro muitas vezes precise abrir mão de momentos importantes com a família, como o Natal e o Réveillon.

Em muitos casos, a virada do ano acontece dentro da cabine do caminhão, com uma marmita simples, o rádio ligado e uma ligação rápida para casa antes da meia-noite. Tem também quem passa esse momento em postos de estrada, junto com outros colegas de profissão, trocando cumprimentos, desejando um feliz ano novo e seguindo viagem logo depois.

Outros motoristas acabam virando o ano parados no pátio das transportadoras, aguardando liberação de carga, nota fiscal ou horário pra sair. Mesmo sem estar rodando, eles seguem longe de casa e sem a chance de comemorar como gostariam.

Segundo relatos dos próprios caminhoneiros, o sentimento é misto. Tem o orgulho de saber que o trabalho é essencial e mantém o Brasil funcionando, mas também tem a saudade da família, dos filhos, da esposa, dos pais e de todo mundo que ficou em casa esperando.

Muitos contam que tentam compensar em outros dias, aproveitando folgas quando conseguem ou organizando pequenas comemorações quando voltam pra casa. Mesmo assim, a data pesa emocionalmente pra quem está sozinho na estrada enquanto o resto do país festeja.