Caos na Transamazônica: caminhoneiros ficam até 7 dias parados em fila quilométrica rumo a Miritituba

Fila de caminhões parada na rodovia. Foto: reprodução

Os vídeos que circulam sobre o caos na rodovia Transamazônica (BR-230) se repetem quase todos os dias. O problema é que a situação não melhora só piora. As imagens mais recentes foram gravadas na manhã da última segunda-feira e mostram o drama vivido por caminhoneiros no trecho entre Miritituba e Campo Verde, no Pará, ligação direta com a BR-163.

Segundo o motorista que registrou os vídeos, por volta das 8h30 da manhã a fila de carretas já passava do quilômetro 11, na entrada da via Transpimental. Cerca de 40 minutos depois, ao retornar pelo mesmo local, a fila havia avançado ainda mais, chegando próximo ao quilômetro 25, na ponte sobre o rio Itapacurá.

O fluxo intenso de carretas na região aumenta diariamente o risco de acidentes, muitos deles com vítimas fatais. Em períodos normais, usuários da rodovia relatam a passagem de 2 mil a 3.200 carretas por dia. Já na época de safra de grãos do norte do Mato Grosso, esse número pode ultrapassar 4 mil carretas diárias, todas seguindo em direção aos portos de Miritituba e Santarém.

Nos vídeos, o caminhoneiro faz um desabafo que reflete a revolta da categoria. Ele relata dias seguidos parado, sem acesso adequado a água, comida ou atendimento médico. Em alguns momentos, nem ambulâncias conseguem passar. Moradores da região também são afetados, ficando impedidos de ir ao trabalho ou voltar para casa.

As condições da estrada variam conforme o trecho. No sentido de Itaituba, a situação é considerada razoável. Já a partir de Campo Verde, são pelo menos 35 km de estrada de chão, com atoleiros, buracos e poeira. Entre Rurópolis e Santarém, o cenário é ainda mais crítico: mais de 80 km de rodovia danificada, incluindo um ponto onde parte da pista cedeu, formando uma cratera que só cresce problema que já dura mais de um ano e meio, sem solução definitiva.

A responsabilidade pela manutenção é do DNIT, mas, até agora, quem paga a conta são os caminhoneiros e a população local. O sentimento entre quem passa pelo trecho é de abandono e descaso, principalmente em uma região por onde escoa boa parte da riqueza do paí