Caminhoneiro

Ex-esposa de caminhoneiro vítima de acidente de trabalho não consegue indenização, decide o TST

Em uma decisão que tem gerado debate no meio jurídico e entre caminhoneiros, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que a ex-esposa de um caminhoneiro que morreu em um acidente de trabalho não terá direito à indenização por danos morais.

O caso envolveu um motorista de caminhão que fazia uma entrega quando foi surpreendido por um veículo desgovernado na rodovia um caminhão com excesso de peso que invadiu a pista contrária. O caminhoneiro não conseguiu desviar e acabou colidindo com outro veículo, vindo a falecer devido ao acidente.

A esposa, já separada da vítima, ajuizou ação contra a empresa em que o caminhoneiro trabalhava pedindo reparação por danos morais, alegando que a perda do pai de seus três filhos causou grande sofrimento. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Porto Alegre havia concedido indenização de R$ 10 mil para ela, além de valores maiores para os filhos.

No entanto, ao analisar o recurso, a Quinta Turma do TST entendeu que não havia provas suficientes de que a ex-esposa mantinha uma relação de afeto ou de pertencimento ao núcleo familiar básico com o caminhoneiro conceito que, segundo a jurisprudência trabalhista, é essencial para caracterizar o chamado “dano moral em ricochete”.

O que diz a decisão

O relator do caso, ministro Breno Medeiros, explicou que o dano moral em ricochete pode ser aplicado quando há uma prova clara de que o familiar que sofreu o impacto da perda tinha uma relação íntima de afeto com a vítima. No TST, esse tipo de indenização é mais comum quando a pessoa que sofreu a perda faz parte do núcleo familiar básico como cônjuge, companheiro(a), filhos, pais ou mães.

No caso analisado, embora a ex-esposa tivesse filhos com o caminhoneiro, isso não foi considerado suficiente para comprovar que ela fazia parte do núcleo familiar após o fim da união. Por isso, o colegiado decidiu que não há base legal para a indenização por dano moral.

A decisão foi unânime, reforçando que a jurisprudência do TST exige um vínculo afetivo comprovado para a concessão de dano moral em casos como este especialmente quando a pessoa afetada não integra mais a família legalmente reconhecida no momento do acidente.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 14 de janeiro de 2026 07:33

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

Postagens recentes

Caminhão é flagrado com sistema do Arla irregular durante fiscalização da PRF

Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou irregularidades no sistema de controle de emissão de poluentes de um caminhão durante uma fiscalização…

13 horas atrás

Quanto ganha um caminhoneiro e quanto ganha um frentista em 2026?

A comparação entre o salário de frentistas e caminhoneiros costuma gerar discussão. Afinal, as duas profissões fazem parte da rotina…

13 horas atrás

Transportadora Natal abre vagas para motorista carreteiro, envie seu currículo.

A Transportadora Natal está com vaga para motorista carreteiro aberta na região de Rio de Janeiro, Goiás e Santa Catarina,…

14 horas atrás

Caminhoneiro pode viajar com cachorro na cabine? Veja o que diz a lei

Muitos caminhoneiros passam semanas longe de casa e acabam encontrando nos cães uma companhia durante as viagens. Nas estradas do…

14 horas atrás

Evento dedicado aos caminhoneiros entra para o calendário oficial de Itabira

A cidade de Itabira, em Minas Gerais, já está se preparando para receber a 3ª Festa do Caminhoneiro, marcada para…

15 horas atrás

Caminhoneiro é flagrado pela PRF com CNH falsa durante fiscalização no Maranhão

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou um caminhoneiro utilizando uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsa durante uma fiscalização realizada…

15 horas atrás