
Texaco retorna ao Brasil com inauguração em Santa Catarina
Por muitos anos, os postos Texaco fizeram parte do dia a dia dos brasileiros. Para quem viveu essa época, a estrela vermelha era sinônimo de combustível, lubrificantes e confiança. Para outros, a marca simplesmente desapareceu sem grandes explicações. O que pouca gente sabe é que o sumiço da Texaco no Brasil envolve decisões globais, crises bilionárias e mudanças profundas no mercado de combustíveis.
A Texaco foi fundada em 1901, nos Estados Unidos, inicialmente com o nome The Texas Company. O crescimento foi rápido, impulsionado pela descoberta de poços de petróleo, inauguração de refinarias e pela criação de uma rede de postos que se espalhou pelo mundo. Em 1915, a empresa iniciou oficialmente suas operações no Brasil, em um período em que o país ainda dependia totalmente da importação de derivados de petróleo.
Ao longo do século XX, a Texaco se consolidou no mercado brasileiro. A marca investiu em tecnologia, abriu laboratórios no Rio de Janeiro e em São Paulo e ganhou destaque principalmente no segmento de lubrificantes, muito usados por caminhoneiros e frotistas. Produtos como a linha Ursa ajudaram a fortalecer a presença da empresa no transporte pesado.
O começo do declínio veio de fora do Brasil. Nos anos 1980, a Texaco se envolveu em uma das maiores disputas judiciais da história do setor petrolífero, após a tentativa de compra da Getty Oil. A condenação bilionária levou a empresa a pedir falência em 1987. Apesar de conseguir se reerguer parcialmente, a companhia nunca mais teve a mesma força de antes.
Nos anos 1990, a situação piorou com mudanças econômicas, inflação alta e controle de preços de combustíveis no Brasil. Em 2000, a Texaco foi comprada pela Chevron, em um negócio de cerca de 35 bilhões de dólares. A partir daí, a marca passou por um processo de enxugamento global.
No Brasil, o capítulo final dos postos Texaco aconteceu em 2008, quando o Grupo Ultra, controlador da Ipiranga, comprou cerca de 2 mil postos da bandeira Texaco por mais de R$ 1 bilhão. Esses postos foram gradualmente convertidos para a bandeira Ipiranga ou encerraram as atividades. Assim, a Texaco deixou de existir como rede de postos no país, embora o nome continuasse vivo nos lubrificantes.
Mesmo fora das ruas, a marca nunca saiu completamente da memória dos brasileiros. E foi justamente essa força histórica que abriu caminho para o retorno. Em 2024, a Chevron anunciou um acordo com a Ipiranga para reintroduzir a marca Texaco no Brasil, agora em um novo modelo de negócio. A Ipiranga passa a licenciar a marca, cuidando da operação dos postos e do fornecimento de combustíveis, enquanto a Texaco retorna com foco em produtos aditivados e lojas de conveniência.
O primeiro novo posto Texaco foi inaugurado em outubro de 2024, em Palhoça (SC), marcando o início dessa nova fase. A estratégia prevê expansão para estados como São Paulo e Rio de Janeiro, apostando no apelo emocional da marca e na estrutura já consolidada da Ipiranga.
Depois de falências, fusões e desaparecimentos, a Texaco volta ao mercado brasileiro com um formato diferente, mas carregando o peso de mais de um século de história. Para muitos motoristas, especialmente caminhoneiros, a estrela vermelha não é apenas uma marca, mas uma lembrança de estrada, trabalho e tradição.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 30 de janeiro de 2026 08:08
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