
Foto: Isac Nóbrega/PR/Flickr / Foto: Marcos Ermínio)
Volta e meia, comparações sobre o preço da gasolina e do etanol durante o governo Jair Bolsonaro reaparecem nas redes sociais, quase sempre acompanhadas da afirmação de que os combustíveis eram muito mais baratos naquele período. A narrativa costuma circular sem contexto e acaba gerando confusão, principalmente para quem sente no bolso o peso do abastecimento no dia a dia.
De acordo com análise publicada pelo Estadão Verifica, esse tipo de comparação é considerada enganosa porque ignora fatores essenciais que influenciam diretamente o preço dos combustíveis no Brasil. Não se trata apenas de olhar o valor que aparecia na bomba em determinado ano, mas de entender o cenário econômico completo em que aquele preço estava inserido.
Um dos principais pontos destacados na checagem é que os valores frequentemente divulgados não levam em conta a inflação. Quando o preço da gasolina ou do etanol é ajustado pela inflação, a diferença entre os períodos diminui significativamente. Em alguns casos, o combustível que parecia muito mais barato acaba tendo um custo semelhante ou até maior quando comparado em valores reais.
Outro fator ignorado nessas comparações é o contexto internacional. Durante parte do governo Bolsonaro, o mundo enfrentou a pandemia de covid-19, momento em que a demanda global por combustíveis caiu drasticamente. Com menos pessoas circulando e menos atividade econômica, o preço do petróleo no mercado internacional despencou, o que ajudou a segurar os preços temporariamente.
Conforme explicado pelo Estadão, também houve mudanças na política de impostos, como a redução ou zeragem temporária de tributos federais sobre combustíveis. Essas medidas ajudaram a baixar os preços por um período, mas não representaram uma queda estrutural ou permanente. Em muitos casos, o custo acabou sendo transferido para outras áreas, afetando a arrecadação de estados e municípios.
A checagem ainda aponta que usar preços isolados, sem considerar renda média da população, custo de vida e poder de compra, distorce a realidade. Mesmo quando o valor nominal parecia menor, o impacto no orçamento das famílias podia ser semelhante ao atual, especialmente em um cenário de desemprego elevado e perda de renda.
Para caminhoneiros e profissionais do transporte, esse tipo de desinformação é ainda mais sensível. O combustível representa uma das maiores despesas da atividade, e análises superficiais acabam alimentando debates baseados mais em discurso político do que em dados reais.
O levantamento do Estadão Verifica conclui que afirmar, de forma absoluta, que gasolina e etanol eram mais baratos no governo Bolsonaro é enganoso. A comparação só faz sentido quando leva em conta inflação, cenário internacional, política de impostos e condições econômicas do país em cada período.
Entender esses fatores ajuda o leitor a formar uma opinião mais consciente e evita que números soltos sejam usados para manipular percepções sobre um tema que impacta diretamente a vida de milhões de brasileiros, especialmente de quem vive da estrada.
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